| ARTES
& ESPETÁCULOS |
07/06/2002 |
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| Livros |
Sem perdão
Reparação examina os mecanismos
da culpa
Eliane Lobato
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McEwan:
trama complexa que se desvia
do seu objeto
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Que o inglês Ian McEwan, 54 anos, é um dos mais importantes
autores contemporâneos, não se discute. Mas seu mais
recente livro, Reparação (Companhia das Letras,
444 págs., R$ 36), não é o mais arrebatador
de seus trabalhos, embora a crítica o tenha considerado,
de modo geral, uma obra-prima. McEwan, um mestre na arte de causar
tensão para depois expiar culpas, desta vez faz uma exegese
filosófica mais longa, com espaço para respiração,
pressentimentos e até libertação. De jeito
nenhum é prejuízo ao seu inegável talento de
contador de história. Apenas não é sua melhor
forma de investigação. Reparação
propõe várias possibilidades de aprofundamento nos
mistérios humanos e de elasticidade na compreensão
do que seja culpa, perdão, remorso, verdade, amor. No entanto,
o objeto da tensão, o abuso sexual, acaba imprensado entre
um início excessivamente detalhista e um forte pano de fundo.
A história fala de Briony, uma pré-adolescente que
desgraçadamente ganha da vida oportunidade para exercitar
sua crueldade. E Briony não decepciona. É a única
pessoa que viu a sombra do estuprador de sua prima de 15 anos e
decide acusar um inocente pelo crime. Abruptamente introduzida na
arena adulta de emoções e dissimulações,
Briony não sabe medir as consequências de seu ato.
Mas terá o resto da vida para se dar conta do que fez. Atos
inconcebíveis e perdão são temas já
esmiuçados em outros livros de Ian McEwan. Sua vantagem é
deixar o leitor completamente indefeso diante de suas complexas
e ambiciosas tramas. Artifício que o faz ser lido e degustado.
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