O
elo perdido
Ex-sócio
de Serra, Vladimir Rioli foi responsável por operações fraudulentas
em parceria com Ricardo Sérgio |
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Amaury Ribeiro Jr.
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Confira
os documentos |
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Vladimir Rioli (à esq.) e Ricardo Sérgio montaram uma
operação no Banespa, em 1992, para trazer de volta ao Brasil
US$ 3 milhões sem origem justificada. O dinheiro veio de contas
do banco
no Caribe |
Integrantes da tropa de choque que investiga irregularidades no
Banespa, os deputados Robson Tuma (PFL-SP), Luiz Antônio Fleury
(PTB-SP) e Ricardo Berzoini (PT-SP) ficaram revoltados com a operação
abafa montada pela base governista para evitar o depoimento do economista
Ricardo Sérgio de Oliveira na CPI que investiga operações
podres nos tempos em que o banco era estatal. Levamos um gol
de mão aos 46 minutos do segundo tempo, comparou Fleury.
Os deputados passaram a última semana intrigados com o nervosismo
demonstrado pelo Palácio do Planalto e pela cúpula
do PSDB com a convocação. Caixa de campanha dos tucanos,
Ricardo Sérgio estava intimado a comparecer à Assembléia
Legislativa de São Paulo na quarta-feira 22, onde seria realizada
a reunião da CPI. Diante das câmeras de televisão,
o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil deveria
explicar uma operação montada por ele em parceria
com o Banespa em 1992, que trouxe de volta ao País US$ 3
milhões sem procedência justificada investidos nas
Ilhas Cayman, um conhecido paraíso fiscal no Caribe.
Receosos de que Ricardo Sérgio faltasse ao depoimento,
os deputados Tuma e Fleury chegaram a acionar a Polícia Federal.
Num encontro com o superintendente da PF em São Paulo, delegado
Ariovaldo Peixoto dos Anjos, os deputados receberam a garantia de
que agentes federais conduziriam o economista até a Assembléia
caso ele se recusasse a depor. Mas nada disso foi preciso. Uma manobra
na terça-feira 21 enterrou as pretensões da CPI. Aproveitando
a ausência da bancada oposicionista, o deputado Julio Semeghini
(PSDB-SP) aprovou, junto à Mesa Diretora da Câmara,
a derrubada do depoimento, sob o argumento de que a operação
ocorreu antes da intervenção federal. O período
em que o banco ficou sob o Regime de Administração
Especial Temporária (Raet) foi de 31 dezembro de 1994 a dezembro
de 1997. O presidente da CPI desmonta o argumento, dizendo que a
comissão investigou várias operações
de empresas privadas e ouviu muitos diretores do Banespa do período
anterior ao Raet. O PSDB só questionou quando Ricardo
Sérgio apareceu. Foi um ato político, acusou
Fleury. Mas documentos obtidos por ISTOÉ revelam a existência
de um novo personagem que, na verdade, é o verdadeiro motivo
do empenho em evitar o depoimento do
ex-diretor do BB.
A Operação Banespa que ajudou Ricardo Sérgio
a internar dinheiro de paraísos fiscais foi aprovada pelo
então vice-presidente de operações do Banespa
Vladimir Antônio Rioli. Na época, o senador José
Serra (PSDB-SP) era sócio de Rioli. De acordo com o contrato
social, Serra tinha 10% das cotas da empresa Consultoria Econômica
e Financeira Ltda. Rioli foi companheiro de militância de
Serra e do falecido ministro das Comunicações Sérgio
Motta na Ação Popular (AP), movimento de esquerda
da década de 60 e arrecadador de recursos para campanhas
do PSDB juntamente com Ricardo Sérgio. Era Rioli quem comandava
todas as reuniões do comitê de crédito do banco
estadual. Além de aprovar a operação que permitiu
o ingresso dos US$ 3 milhões, ele autorizou outras transações
envolvendo Ricardo Sérgio e a Calfat, uma indústria
têxtil com sede em São Paulo, na qual o próprio
Ricardo Sérgio atuava como presidente do seu conselho deliberativo.
Em setembro de 1992, Rioli liberou para a tecelagem, sem nenhuma
garantia, um empréstimo do Banespa no valor de CR$ 3,7 bilhões
(correspondente hoje a R$ 1,7 milhão). Um ano depois, Rioli
autorizou o Banespa a tocar várias operações
de câmbio que permitiram ao ex-diretor do BB e à Calfat
trazer outros recursos do Exterior, provocando um rombo nas contas
do ex-banco estatal. O valor do prejuízo é desconhecido.
O processo de cobrança dessa operação foi retirado
da 5ª Vara Civil do Fórum de
Santo Amaro, em São Paulo, pelos advogados do banco e
sumiu misteriosamente em 1995.
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