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& ESPETÁCULOS |
24/05/2002 |
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Pé na estrada
Autor analisa o País viajando de
caminhão
Luiza Pastor
Ivan SantAnna é um daqueles seres irrequietos, que
não poupam esforços ou riscos para encontrar respostas
a perguntas que a maioria das pessoas prefere nem fazer. Para realizar
seu mais recente livro, Carga perigosa (Objetiva, 320 págs.,
R$ 29,90), durante 15 dias ele percorreu seis mil quilômetros
de estradas entre os Estados de São Paulo e Rondônia,
na carona de um caminhoneiro de
quem ouviu as histórias que permeiam um
universo geralmente inimaginável.
O resultado da jornada por estradas, restaurantes e postos perdidos
nos confins das rotas de carga é um delicioso romance policial
que envolve caminhoneiros assassinados, tráfico de drogas,
corrupção, jornalistas e até os laboratórios
e arquivos do FBI, o onipresente escritório americano de
investigações federais. Algum sexo e muito realismo
completam a receita de um livro que o leitor só consegue
largar na última página. É uma ficção
que reflete com crua virulência a realidade vista pelo Brasil
inteiro nos pasteurizados noticiários de televisão.
Envolvidos nas mortes de Dimas, Raimundo, Aderaldo e Consolação,
estão os políticos e caciques de maior ou menor expressão
e seu secular hábito à impunidade. Igualmente ali
estão, travestidas pela ficção, mas facilmente
identificáveis pelo telespectador comum, as denúncias
que revoltam o brasileiro na hora do jantar. E, não por acaso,
há também um aceno para a possibilidade de toda essa
sujeira um dia vir a ser apenas fantasia de um autor de fértil
imaginação.
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