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  COMPORTAMENTO 17/05/2002
Trabalho
 
Decifra-te ou...
Os testes de personalidades são cada vez mais importantes
na hora da seleção de um emprego. O primeiro passo para enfrentá-los é conhecer os próprios pontos fracos

Prepare-se

Rita Moraes

  Renato Velasco
  Neme fez um curso para melhorar sua apresentação e assumiu novos projetos

Aquele chefe ranzinza que se descabela diante de imprevistos, treme ante mudanças, explode quando contrariado e baseia sua autoridade apenas no poder concedido pela hierarquia está realmente com os dias contados. Os testes de personalidade, aptidão e inteligência sempre foram instrumentos usados pelas empresas na hora de escolher seus candidatos, mas agora ganharam valor decisivo, principalmente para cargos de comando. Uma pesquisa realizada pelo Grupo Catho, de São Paulo, no ano passado, entre 9.174 executivos demonstrou que o uso desse tipo de ferramenta quase dobrou nos últimos quatro anos. Dos entrevistados em cargos de presidência e diretoria, 42,85% foram submetidos a esses testes em 2001. Até 1998, o índice era de 23,33%. Entre gerentes, supervisores e profissionais especializados, a aplicação dos testes cresceu de 10% a 15%.

A lógica das empresas é simples: quanto maior o salário, menor deve ser o risco do escolhido não corresponder às expectativas. É preciso achar a pessoa certa para o lugar certo. Cada vaga e cada empresa têm o seu próprio perfil, mas, nessa busca, há um denominador comum: o funcionário ideal passa longe do sabe-tudo autoritário incapaz de valorizar e motivar seus subordinados. Boa formação acadêmica, preparo técnico e o domínio de uma segunda ou terceira língua são o básico. O candidato tem que mostrar iniciativa, jogo de cintura, motivação, enfrentar desafios e se relacionar bem e eticamente com as pessoas. “Ninguém contrata só por causa de um teste de personalidade, mas é um instrumento eliminatório”, afirma Thomas Case, do Grupo Catho.

QUAL O SEU PERFIL
O estrategista O operacional
O técnico O autêntico

Num país onde o desemprego chega a índices recordes, essa nova exigência leva a situações paradoxais. Há empresas que não conseguem preencher suas vagas. A consultoria TBM América Latina, por exemplo, não consegue contratar cinco consultores empresariais no Brasil. Motivo: os candidatos apesar de bem preparados e com experiência, não apresentam o perfil ideal. A vaga pede alguém empreendedor, persistente, sociável, eloquente e auto-suficiente, mas que saiba seguir regras. “O desafio é encontrar o equilíbrio entre essas qualidades. Somos exigentes porque um consultor é um agente de mudança na empresa de nossos clientes. Além disso, a contratação e viagens para treinamento custam cerca de US$ 100 mil”, explica Jairo Ramalho, 55 anos, diretor-superintendente para a América Latina.

Porta-retrato – Na TBM, os candidatos são avaliados pelo teste Personalysis, da americana Manatech – apenas um entre tantos à disposição de head hunters e empresas de recolocação. Em 104 questões, o profissional informa como e em que gosta de trabalhar, como se vê e como reage sob pressão. É um sistema curioso. A partir de informações da empresa, a Manatech traça o perfil ideal para a vaga. Ao receber o teste, nos Estados Unidos, cruza as respostas com o perfil ideal. Se aprovado, o funcionário ganha um mapa de sua personalidade, com porta-retrato para manter bem na mesa de trabalho. À primeira vista parece um meio devassador, mas a TBM funciona como um facilitador. Todos têm o mapa de todos. “Mostrar-se como é ajuda a conviver. As pessoas sabem o que podem esperar de mim e vice-versa. Também ajuda a delegar, sei quem é ideal para resolver tal problema”, explica Ramalho. Outro teste bem conceituado é o Quantum, da Quantum Lep do Brasil, que assessora empresas na seleção de candidatos e no melhor aproveitamento de seus talentos. Utilizado nos Estados Unidos, México, Itália e França, o teste foi criado no Brasil, com base nos estudos sobre o funcionamento neurológico e emocional feitos nos anos 20 pelo psicólogo William Marston. O método mede o modo de ação e de comunicação do indivíduo, seu ritmo de trabalho e como ele responde a regras e padrões. Revela a flexibilidade, qualidade apreciada hoje. O teste está disponível na Internet (www.metodoquantum.com.br) e custa R$ 240.

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