| À
flor da pele |
Novas denúncias contra José
Serra, instabilidade
econômica e temor de uma vitória de Lula provocam
um terremoto no País: especulação aumenta e boatos
tomam conta do mercado financeiro |
Florência Costa, Ines Garçoni e Weiller Diniz
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| Serra
enfrenta resistências políticas e denúncias sobre seu ex-caixa
de campanha: clima de inferno astral |
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O País está à beira de um ataque de nervos.
A cinco meses da sucessão de Fernando Henrique Cardoso, escândalos,
boatos sobre altos e baixos de candidaturas, turbulências
no mercado financeiro, tudo isso faz o País viver a síndrome
da TPE, a tensão pré-eleitoral. Enquanto Luiz Inácio
Lula da Silva saboreia uma lua-de-mel com o eleitorado, o tucano
José Serra vive o inferno das denúncias, com o risco
de seguir o caminho de Roseana Sarney: ser obrigado a desistir da
candidatura. O nervosismo e o desespero causados pela TPE de 2002
chegou a tal ponto que os governistas tiraram da cartola uma idéia
esdrúxula: a de tentar a re-reeleição de FHC.
A cartada no estilo Fujimori foi devidamente bombardeada pelo próprio
FHC. A Bolsa caiu, atingindo o menor índice desde outubro
do ano passado, o dólar alcançou a maior cotação
deste ano, e o índice que mede o risco de investir no Brasil
também subiu. A temperatura nos mercados foi para a estratosfera
(leia reportagem à pag. 36) por causa da crise da candidatura
oficial do Planalto e do fortalecimento da oposição.
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Pesquisa
indica que Lula lidera, tem baixa rejeição e vence o
2º turno (clique
para ver a pesquisa)
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A histeria das elites políticas e econômicas, no entanto,
não vem sendo acompanhada pela população, que
vive os problemas do cotidiano. Mais da metade dos eleitores, 54,4%,
ainda não escolheu seu candidato a presidente da República,
segundo a primeira pesquisa nacional ISTOÉ/Toledo & Associados
sobre intenção de voto para o Planalto. Com margem
de erro de 2,5%, a pesquisa, feita entre 1º e 5 de maio, ouviu
3.246 pessoas em 27 capitais e 126 cidades. A liderança de
Lula continua firme e forte. O petista surge com 39,4% nas intenções
de voto no cenário em que é confrontado com Serra
(22,8%), com Ciro Gomes (PPS), que tem 13,8%, e com Anthony Garotinho
(PSB), que aparece com 12,6%. Mas outro quadro apresentado ao eleitor
mostra que as candidaturas ainda não têm densidade.
Sinal disso é que quando são testados os nomes do
apresentador de tevê Silvio Santos (PFL) e do empresário
Antônio Ermírio de Moraes, os demais candidatos apresentam
fragilidades. Assim, Lula cai para 29,9%, seguido de Silvio Santos
(22,5%), Serra (16%), Garotinho (9,9%), Ciro (9,6%) e Antônio
Ermírio (5%). Vê-se, por exemplo, que, com a
entrada de Silvio Santos, Lula perde votos e a coisa muda de figura,
observou o sociólogo Francisco José de Toledo, diretor-geral
da Toledo & Associados.
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