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  COMPORTAMENTO 26/04/2002
Relacionamento
 
Eles querem namorar
Pesquisas mostram que os homens estão cansados
de “ficar” e começam a buscar relações mais estáveis
TESTE: Namorar ou "ficar"

Camilo Vannuchi e Celina Cortes

  Montagem sobre fotos: Walt Disney e Hélcio Nagamine
  André e Marina: “Não me envergonho de assumir que ficaria com ela para sempre”

Os homens são todos iguais. Só pensam em sexo, gostam de colecionar garotas como se fossem embalagens de cigarro e nunca – em hipótese alguma – telefonam no dia seguinte. Certo? Este estereótipo do macho, combatido com fúria quase masculina pelas organizações feministas, começa a dar sinais de cansaço. Pelo menos no que diz respeito ao relacionamento amoroso. Pode ser que eles ainda não saibam lavar uma frigideira e insistam em largar as meias sujas em cima do sofá. Mas a tradicional repulsa ao compromisso está com os dias contados. Se a última década foi marcada pela explosão do “ficar” como prática hegemônica entre casais desimpedidos – e conquistar mulheres era como experimentar sabores de sorvete –, a tendência atual é o resgate do namoro. Nos Estados Unidos, uma recente pesquisa com estudantes da University of Southern California mostrou que moças e rapazes têm projetos semelhantes. “Dos entrevistados, 99% têm intenção de assumir um parceiro sexual exclusivo e todos desejam abolir os relacionamentos de uma noite de suas vidas”, cita a psicóloga Lynn C. Miller, coordenadora do estudo. Para a maioria, isso deve acontecer nos próximos cinco anos, ou seja, eles querem encontrar sua cara-metade antes dos 28. “Também perguntamos aos universitários quantos parceiros sexuais eles gostariam de ter até aquele momento. O resultado mostrou uma média de três parceiras para os homens e dois para as mulheres, resultados parecidos”, acrescenta a psicóloga.

A novidade abala a teoria de que homens preferem relacionamentos de curta duração e apenas as mulheres querem estabelecer vínculos afetivos. Para o terapeuta Sérgio Savian, autor de O amor na contramão (ed. Agora), isso constitui uma nova etapa na evolução social. Se antes o casamento era uma imposição da sociedade e uma necessidade – já que as mulheres precisavam de um provedor e os homens de alguém para cuidar da família –, isso perdeu a importância nos tempos modernos. “Com o feminismo, as mulheres não precisam mais se preservar para o casamento e passaram a dar menor importância à figura do marido. Elas aceitaram o jogo introduzido pelos homens e popularizaram a prática do ficar”, resume Savian. Para ele, o erro foi subestimar a capacidade das mulheres, que souberam se adaptar à fórmula. “Elas já não correm atrás de um namorado como faziam antigamente. Com isso, os homens passaram a se sentir menos valorizados”, diz.

Savian lembra que a realidade da Califórnia não pode ser encarada como espelho da cena brasileira, mas garante que a busca masculina por relações afetivas sólidas se repete no Brasil e deve se intensificar, não apenas entre universitários. “Hoje, é muito fácil dar vazão à sexualidade em relações de curta duração e todo tipo de separação ou divórcio é socialmente aceito. Os novos casamentos serão mais honestos. Continuarão unidos apenas os namorados que se amarem de verdade”, diz. Esta constatação explica relações como a do engenheiro paulista André Mammana, 23 anos, que namora há quatro a estudante de engenharia Marina Nunes, também com 23. “Ela foi minha primeira namorada séria. Não me envergonho de assumir que ficaria com ela para sempre”, garante. Romântico assumido, ele gosta de abrir a porta do carro para a amada e, sempre que lembra, puxa a cadeira para Marina sentar. Parou de dar bichos de pelúcia de presente quando o quarto da namorada ficou abarrotado. “Não consigo desvincular o contato com uma garota de afinidade e carinho. Digo isso para a Marina toda vez que ela pergunta se eu não tenho vontade de conhecer outras mulheres”, conta, descartando a insegurança por assumir tão cedo uma relação como essa.

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