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| Relacionamento |
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Eles
querem namorar
Pesquisas mostram que os homens
estão cansados
de “ficar” e começam a buscar relações mais estáveis |
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Camilo
Vannuchi e Celina Cortes
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André
e Marina: “Não me envergonho de assumir que ficaria com
ela para sempre” |
Os homens são todos iguais. Só pensam em sexo, gostam
de colecionar garotas como se fossem embalagens de cigarro e nunca
em hipótese alguma telefonam no dia seguinte.
Certo? Este estereótipo do macho, combatido com fúria
quase masculina pelas organizações feministas, começa
a dar sinais de cansaço. Pelo menos no que diz respeito ao
relacionamento amoroso. Pode ser que eles ainda não saibam
lavar uma frigideira e insistam em largar as meias sujas em cima
do sofá. Mas a tradicional repulsa ao compromisso está
com os dias contados. Se a última década foi marcada
pela explosão do ficar como prática hegemônica
entre casais desimpedidos e conquistar mulheres era como
experimentar sabores de sorvete , a tendência atual
é o resgate do namoro. Nos Estados Unidos, uma recente pesquisa
com estudantes da University of Southern California mostrou que
moças e rapazes têm projetos semelhantes. Dos
entrevistados, 99% têm intenção de assumir um
parceiro sexual exclusivo e todos desejam abolir os relacionamentos
de uma noite de suas vidas, cita a psicóloga Lynn C.
Miller, coordenadora do estudo. Para a maioria, isso deve acontecer
nos próximos cinco anos, ou seja, eles querem encontrar sua
cara-metade antes dos 28. Também perguntamos aos universitários
quantos parceiros sexuais eles gostariam de ter até aquele
momento. O resultado mostrou uma média de três parceiras
para os homens e dois para as mulheres, resultados parecidos,
acrescenta a psicóloga.
A novidade abala a teoria de que homens preferem relacionamentos
de curta duração e apenas as mulheres querem estabelecer
vínculos afetivos. Para o terapeuta Sérgio Savian,
autor de O amor na contramão (ed. Agora), isso constitui
uma nova etapa na evolução social. Se antes o casamento
era uma imposição da sociedade e uma necessidade
já que as mulheres precisavam de um provedor e os homens
de alguém para cuidar da família , isso perdeu
a importância nos tempos modernos. Com o feminismo,
as mulheres não precisam mais se preservar para o casamento
e passaram a dar menor importância à figura do marido.
Elas aceitaram o jogo introduzido pelos homens e popularizaram a
prática do ficar, resume Savian. Para ele, o erro foi
subestimar a capacidade das mulheres, que souberam se adaptar à
fórmula. Elas já não correm atrás
de um namorado como faziam antigamente. Com isso, os homens passaram
a se sentir menos valorizados, diz.
Savian lembra que a realidade da Califórnia não
pode ser encarada como espelho da cena brasileira, mas garante que
a busca masculina por relações afetivas sólidas
se repete no Brasil e deve se intensificar, não apenas entre
universitários. Hoje, é muito fácil dar
vazão à sexualidade em relações de curta
duração e todo tipo de separação ou
divórcio é socialmente aceito. Os novos casamentos
serão mais honestos. Continuarão unidos apenas os
namorados que se amarem de verdade, diz. Esta constatação
explica relações como a do engenheiro paulista André
Mammana, 23 anos, que namora há quatro a estudante de engenharia
Marina Nunes, também com 23. Ela foi minha primeira
namorada séria. Não me envergonho de assumir que ficaria
com ela para sempre, garante. Romântico assumido, ele
gosta de abrir a porta do carro para a amada e, sempre que lembra,
puxa a cadeira para Marina sentar. Parou de dar bichos de pelúcia
de presente quando o quarto da namorada ficou abarrotado. Não
consigo desvincular o contato com uma garota de afinidade e carinho.
Digo isso para a Marina toda vez que ela pergunta se eu não
tenho vontade de conhecer outras mulheres, conta, descartando
a insegurança por assumir tão cedo uma relação
como essa.
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