| CIÊNCIA
E TECNOLOGIA
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26/04/2002 |
Luzes
e trevas
Alinhamento de planetas
cria espetáculo que pode
ser visto a olho nu
Natália Azevedo
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Cláudia:
Dificuldades no diálogo |
Em tempos de desordem política, econômica, social,
religiosa e ambiental na Terra, uma cósmica ironia alinha
cinco planetas num belíssimo espetáculo que pode ser
apreciado de qualquer canto do mundo. O raro evento foi observado
pela última vez há 62 anos e se repetirá somente
em 8 de setembro de 2040. No Brasil, os pontos de luz que identificam
os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno e Júpiter
estão inclinados um pouco acima da linha do horizonte, na
direção do sol poente, e podem ser vistos a olho nu
ao longo de todo o mês de maio e dos primeiros dias de junho.
Até o dia 3 de maio, a lua cheia também estará
alinhada com os planetas.
O astrônomo paulista Walter Maciel, do Instituto de Astronomia
e Geofísica da Universidade de São Paulo, explica
que o fenômeno não passa de coincidência. Os
planetas têm órbitas distintas e se deslocam em diferentes
velocidades. Por vezes, acontece de alguns deles passarem mais perto
de nós, diz. Não há nenhuma influência
gravitacional porque, mesmo que eles estejam mais próximos,
as distâncias ainda são muito grandes, reforça
o físico carioca Marcomede Rangel, do Observatório
Nacional. Esse fenômeno pode revelar novidades sobre o sistema
solar. Milhares de cientistas em todo o mundo vivem debruçados
sobre planilhas de cálculos matemáticos para conferir
se o curso e a localização dos planetas observados
no céu estão de acordo com o que foi previsto. Na
quinta-feira 25, a agência espacial americana Nasa comprovou
a precisão dos cálculos astronômicos: o estudo
de antigas estrelas confirmou as estimativas de que o Universo surgiu
há 14 bilhões de anos. O alinhamento dos planetas
é uma boa ocasião para investigação,
já que os astros estão mais próximos da Terra
e numa mesma região do sistema solar. Se as observações
revelarem que eles cumprem trajetórias diferentes das previstas,
uma das possíveis razões é a presença
de um corpo estranho meteorito, asteróide ou novo
planeta que os atrai e modifica, minimamente, sua rota. No
século XVIII, a investigação da órbita
de Urano apontou indícios da existência de um objeto
celeste desconhecido que, mais tarde, se descobriu ser Netuno.
A coincidência astronômica encerra importantes significados
para os esotéricos. No último alinhamento, em fevereiro
de 1940, o mundo assistiu perplexo à consolidação
do Eixo, pacto firmado entre Alemanha, Japão e Itália,
seis meses após o início da Segunda Guerra Mundial,
deflagrada com a invasão da Polônia pelos nazistas.
Um ano depois, a base naval americana de Pearl Harbor era bombardeada
pelos japoneses.
Na Espanha, estava em curso uma sangrenta guerra civil. O que os
astrônomos consideram ordenamento, a astrologia interpreta
como conflito. O astrólogo carioca Antonio Carlos Harres,
o Bola, afirma que o fenômeno é marcado pela forte
tensão entre os planetas e afeta toda a humanidade. A
aglomeração de vários corpos celestes numa
região do sistema solar cria um desequilíbrio de forças
que aumenta as crises na Terra, diz Harres. Para a astróloga
Cláudia Lisboa, a crítica oposição entre
Plutão e Saturno intensifica o alinhamento. Ele será
potencializado ainda mais por dois eclipses: o lunar, em 26 de maio,
e o solar, em 10 de junho, este último ocorrendo no signo
de gêmeos, que está associado à comunicação.
Os eclipses da Lua ou do Sol observáveis apenas do
hemisfério norte , segundo Cláudia, trarão
à tona os aspectos sombrios da natureza humana e comprometerão
o diálogo em todos os níveis. Esse cenário
astrológico confirma a tendência de caos em 2002.
parecerá o que estava debaixo do tapete, a intolerância,
a intransigência religiosa, ideológica e dogmática,
adverte Cláudia. Ela lembra que o início desse colapso
foi em 2001, ano dos ataques fundamentalistas muçulmanos
aos Estados Unidos. O fenômeno simboliza algo como a tempestade
antes da bonança, na interpretação do astrólogo
paulista Oscar Quiroga. Em junho e julho poderemos estar à
beira de uma Terceira Guerra Mundial, consequência de um movimento
massivo de ruptura com antigas visões. Ao final deste ciclo
de conflitos teremos paz, postula Quiroga. A astronomia, é
claro, não se sensibiliza com as previsões. O
homem se sente pequeno diante da imensidão do cosmo e de
seus segredos. Interpretá-los é uma forma de se sentir
seguro, afirma o astrônomo Marcomede Rangel. Por via
das dúvidas, vale a máxima do escritor inglês
William Shakespeare de que existem mais coisas entre o céu
e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.
Colaborou Ana Carvalho
Lampião
celeste
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