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  BRASIL 26/04/2002
Política

Os namoros de Lula
Cada vez mais assediado por políticos e empresários, o petista admite que voto não tem ideologia: pode vir da esquerda, da direita ou do centro

Ana Carvalho e Ines Garçoni

  Joedson Alves/AE
 
Festa: Lula com a bancada do PT durante gravação em frente ao Congresso: elogios
até de Maluf

Os convites para conversas reservadas são muitos e de todas as colorações políticas. O empresariado que desfila pela avenida Paulista e responde pelo PIB nacional acena, faz um chamego e se mostra disposto a uma aproximação com o candidato do PT ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva. O sapo já não é tão barbudo e indigesto, como em 1989. A experiência de ter enfrentado o establishment por três vezes mudou Lula, e as sucessivas eleições pós-ditadura militar mudaram o País. Governo em vários Estados e em grandes cidades, o PT já não assusta o capital internacional. Os índices registrados nas recentes pesquisas de intenção de voto, a moderação da política socioeconômica e a estagnação da candidatura governista de José Serra (PSDB) fizeram do candidato petista um pretendente cobiçado.

Até inimigos históricos, como os caciques Antônio Carlos Magalhães e Paulo Maluf, andam admitindo votar em Lula. Maluf chegou a tirar o chapéu para o candidato no programa Raul Gil, da Rede Record. ACM não perde a chance de elogiar Lula, chegando a dizer que não declara o voto no petista porque pode atrapalhar a campanha da oposição. Lula não se faz de rogado e diz, com todas as letras, que quer todos os votos, venham de onde vierem. “Todo mundo tem a oportunidade de fazer a coisa certa na vida. Eu estou naquela: não vou pedir o voto da direita, mas também não vou rejeitar”, afirmou Lula. Para o público interno, ele prefere a tese de que eleitor não tem dono: “Não vamos colocar fiscais para fazer apuração ideológica.”

Lula transita entre os opostos e avança para o centro. Uma aliança com o PL é dada como certa, apesar das resistências internas do PT em relação à Igreja Universal e pelas divergências regionais entre os partidos, agravadas pela verticalização das alianças. O empresário e senador mineiro José Alencar (PL) aposta suas fichas para ser o vice de Lula: “Se Deus quiser, essa aliança vai sair.” Quanto às coligações nos Estados, Alencar admite que há problemas, mas vem “conversando com os companheiros para aproximar o PL do PT”. O argumento: “Votar em Lula é votar no Brasil.” O senador Fernando Bezerra (PTB-RN), que hoje preside a Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirma que a resistência do capital ao candidato do PT diminuiu. Segundo pesquisa Vox Populi/CNI/Fiesp, 45% dos empresários paulistas votarão de acordo com as propostas, e não pelos partidos dos candidatos. O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, ressaltou que a maior preocupação da categoria foi sanada: “O PT já deu uma mensagem clara de que não pretende mudar a regra do jogo e de que não significa mais a ruptura.” Segundo Piva, a proximidade de Lula com José de Alencar quebrou o gelo entre empresários e o petista.

Sem calote – As difíceis relações do empresariado com a equipe econômica do governo de FHC também têm dado uma mãozinha a Lula. Luiz Fernando Furlan, diretor de Comércio Exterior da Fiesp, criticou no programa Opinião Nacional, exibido na semana passada pela TV Cultura, a política de exportação de FHC. “Somos muito competitivos, mas temos barreiras. Política industrial é uma palavra que vem sendo hostilizada.” Quanto à possibilidade de o PT chegar ao poder, Furlan ressaltou que “nenhum candidato romperá com as regras ou dará um calote internacional. O empresariado poderá, se for o caso, tender para a oposição. Convivo com prefeitos e governadores do PT e de todos os partidos. Posso dizer que não há diferenças”.

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