| Jogo
de empurra |
Candidatura de José Serra
é questionada pela base
governista e enfrenta críticas até de membros do
governo, como o ministro Malan |
Weiller Diniz
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Furacão: O senador Serra se equilibra para fugir
da crise: fogo amigo é o maior problema da pré-campanha
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Os biólogos classificam os tucanos como aves pesadas, sem
grande autonomia, que necessitam sempre pousar para intercalar os
vôos. Deslocamentos de grandes distâncias são
um problema. A compleição da ave parece se assemelhar
à candidatura do senador José Serra (PSDB-SP). Uma
campanha tão longa foi tudo o que os tucanos tentaram evitar
para fugir do desgaste. O que acendeu a luz amarela foram as pesquisas
feitas após a implosão da candidatura de Roseana Sarney
(PFL). Os tucanos apostavam que a maioria dos votos de Roseana cairia
no colo de Serra. Não aconteceu, e o nervosismo passou a
comandar os humores do PSDB.
As três pesquisas divulgadas após a renúncia
de Roseana são coincidentes. A maioria dos votos do PFL migrou
para a oposição. O problema é que o Serra
ficou inerte, diz o secretário-geral do PMDB, Eunício
Oliveira (CE). Ele está péssimo. Outro, com
a estrutura de governo, estaria perto dos 30%, critica o adversário
Inocêncio Oliveira (PFL-PE). Acho excelente. Em abril,
Serra tinha 6%, agora tem 18%, rebate o líder do governo,
Artur da Távola (PSDB-RJ). A pauta é muito pesada,
negativa, e não se está fazendo política,
arrisca o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL),
referindo-se ao tripé de adversidades enfrentadas por Serra:
a área econômica do governo, a desconfiança
do PMDB e o modesto desempenho nas pesquisas, mesmo estando hoje
no segundo turno.
Diferenças Rivais no antagonismo entre monetaristas
e desenvolvimentistas, José Serra e a área
econômica não andam falando a mesma língua.
Enquanto o candidato à Presidência verbalizava suas
críticas aos critérios de reajuste dos combustíveis,
foi surpreendido pelo aumento do preço da gasolina e de outros
serviços, como a energia elétrica. Em seguida, o ministro
da Fazenda, Pedro Malan, anunciou a elevação do Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF). Aumento de impostos
e tarifas não transfere um voto sequer ao candidato tucano.
Malan foi além. Esta semana, em Nova York, tangenciou a seara
política. Sem mencionar o nome de Serra, cobrou que o candidato
do governo tenha um maior grau de afinidades eletivas com
aquilo que este governo veio tentando fazer nos últimos sete
anos.
Na esfera política, a ansiedade dos tucanos também
aumenta. Há 20 dias, o próprio presidente Fernando
Henrique Cardoso reuniu a cúpula do PMDB e dos tucanos para
tentar apressar a indicação do nome do vice. Acertaram
que os dirigentes das duas legendas tentariam superar a belicosa
convivência entre os dois partidos em vários Estados.
Nada foi feito. Ao contrário, pipocaram novos conflitos entre
os noivos. Em São Paulo, Orestes Quércia, que controla
o PMDB no Estado, anunciou que disputará o governo paulista,
fechando as portas para o governador Geraldo Alckmin (PSDB). No
Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB) quer disputar
o Senado ao lado do candidato Garotinho. No Acre, o senador Nabor
Júnior (PMDB) se irritou com uma liberação
de R$ 40 milhões do BNDES para o governador Jorge Viana,
do PT, apoiado pelo PSDB. Em Alagoas, o PSDB está lançando
um candidato com 2% nas pesquisas, o usineiro João Tenório,
que inviabiliza a composição com o PMDB de Renan Calheiros.
No Mato Grosso, o ex-governador Dante de Oliveira (PSDB) não
retorna as ligações para discutir uma aliança
com o PMDB do senador Carlos Bezerra.
O exemplo mais emblemático está na Bahia. O acordo
pelo qual tucanos e PMDB se uniriam em torno do deputado Benito
Gama (BA) para enfrentar o arquiinimigo Antônio Carlos Magalhães
(PFL) foi feito no dia 1º de março. FHC demitiria todos
os apadrinhados de ACM que ainda ocupam cargos federais. Ficou na
promessa e Benito saiu do páreo. Os chefões do PMDB
também estão irritados com a sucessão de vetos
aos nomes indicados para vice de Serra. O PMDB apresentou dois nomes:
os deputados Henrique Eduardo Alves (RN) e Luís Henrique
da Silveira, ex-prefeito de Joinville (SC). Serra insiste no senador
Pedro Simon (RS) ou na deputada Rita Camata (ES).
Serra enfrenta ainda uma sistemática conspiração
de parte do PFL para desestabilizá-lo (leia entrevista do
prefeito Cesar Maia à pág. 7). O partido fez uma pesquisa
interna, e, dos 118 deputados do PFL, apenas seis aceitam apoiar
Serra. De outro lado, 90% da pefelândia apoiaria um outro
tucano, como Tasso Jereissati (PSDB-CE) ou Aécio Neves (PSDB-MG).
Até o cordato PPB recusou o apoio formal a Serra. Dentro
do partido, há quem defenda a saída do candidato tucano.
O Serra não decola. A solução é
lançar Aécio (presidente da Câmara) e como vice
o deputado Michel Temer (PMDB-SP), defende o líder
do baixo clero Severino Cavalcanti (PPB-PE). Com tantos flancos,
Serra terá de se desdobrar em três para fechar o acordo
com o PMDB, driblar a área econômica e trazer de volta
o PFL.
| De
caçador à caça |
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Cifrado: Em Nova York, Malan solta o verbo e cobra
“afinidades eletivas” |
procurador Roberto Santoro ficou conhecido na investigação
que levou à cassação do deputado Hidelbrando
Pascoal (AC) e por outros casos de combate à corrupção.
Agora, pode passar de investigador a investigado. Na segunda-feira
22, o Conselho Superior do Ministério Público
recomendou à Corregedoria do MP que investigue as ligações
de Santoro com o candidato José Serra (PSDB-SP), baseado
em dois casos: a denúncia do lobista Alexandre Paes
Santos sobre cobrança de caixinha de campanha no Ministério
da Saúde, onde Santoro trabalhava, e o episódio
da Lunus. Segundo o relatório, Santoro não tinha
designação para atuar na empresa de Roseana
Sarney. Não atuei na Lunus. O Mário Lúcio
(procurador de Tocantins) me pediu orientações
e só, diz ele. O que chamou a atenção
do Conselho foram as viagens de Santoro a
Palmas (TO).
As últimas coincidem com a blitz na empresa da então
governadora e de seu marido, Jorge Murad. Nenhuma das autorizações
de viagem menciona o caso Lunus. No ano passado, quando Alexandre
Paes dos Santos denunciou a existência de uma caixinha
para o pré-candidato Serra, Santoro escolheu o procurador
responsável pelo caso. De denunciante, o lobista passou
a ser o alvo da investigação. As peças
que levantam suspeitas sobre Santoro não explicitam
o nome de Serra, mas insinuam a possibilidade de assessoria
a pessoa de notória posição política.
Ao contrário de outros, não tenho vinculações
políticas. Investigo roubalheiras, afirmou Santoro.
É mais um caso que expõe a guerra interna no
MP.
Weiller Diniz
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