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ISTOÉ O sr. parte do pressuposto de que aquele
dinheiro todo era captação de financiamento eleitoral?
Cesar Tenho certeza. Isso deveria ter sido feito pelo
próprio partido. A improvisação foi o principal
responsável pelo amadorismo dos fatos.
ISTOÉ E agora, quais são os caminhos
do PFL?
Cesar Com a verticalização das alianças,
o PFL trabalha em dois cenários. O primeiro é com
o atual quadro de candidatos, em que o PFL não terá
candidato e vai liberar suas seções regionais. O outro
cenário é com a hipótese de nomes novos. O
PFL poderia apoiar um candidato novo dentro da base do governo.
ISTOÉ Isso significa pressionar o PSDB para
substituir José Serra por Aécio Neves, por exemplo?
Cesar Não, o Tasso Jereissati. E não é
pressionar. Se os fatos demonstrarem que a melhor alternativa é
apresentar outro nome como o Tasso, o PFL vai estar aberto. A probabilidade
hoje é muito pequena e um partido como o PFL deve trabalhar
com os fatos, em vez de agredi-los. Por isso a opção
de não ter candidato, liberar as coligações
regionais, é amplamente majoritária.
ISTOÉ Para um partido tão acostumado
a ser governista, essa opção não é muito
perigosa?
Cesar Não. Se o governo fosse a alternativa mais
forte, você poderia dizer que os pragmáticos estariam
prontos para aderir, mas não é o caso. A opção
pelo governo é de risco. Mais fácil para os pragmáticos
é ser contra o governo. O governo tem problemas para ir ao
segundo turno e terá enormes dificuldades para vencer, porque
políticos da dimensão de Antônio Carlos Margalhães,
José Sarney, Paulo Maluf não estarão com Serra.
O pragmatismo nessa conjuntura não leva ao adesismo.
ISTOÉ Não existe a hipótese de
o PFL apoiar outro candidato, como Ciro Gomes ou Anthony Garotinho?
Cesar Não há hipótese, pelas dificuldades
da verticalização. Isso, sim, produziria uma fratura.
O PFL é uma confederação de grupos regionais,
de inspiração liberal, de centro ou conservadora,
que delega à direção nacional um poder que
tem como amálgama uma grande bancada federal consciente de
que a unidade é a razão da força do partido
e de cada um dos parlamentares. Então o PFL tem um limite,
que é a fragilização dessa bancada montada
regionalmente.
ISTOÉ A queda do senador ACM e da família
Sarney no cenário nacional foi um golpe em duas oligarquias.
Não é positivo para
o País?
Cesar Não posso acreditar num sistema que manipula
a Policia Federal para montar escuta e espionagem e destruir a candidatura
de um parceiro. Havia 100 telefones grampeados numa investigação
de tráfico no Maranhão, que não tem aeroporto
internacional, não é ponto de atracação
de navios internacionais a não ser dos que levam minério,
não é passagem de droga para a Europa nem para os
Estados Unidos. É risível imaginar que um expediente
desses signifique luta contra as oligarquias.
ISTOÉ Isso não mostra que o PFL precisa
de uma reciclagem?
Cesar O que o PFL precisa é pensar a longo prazo
numa disputa de poder nacional. Se a candidatura Roseana tivesse
sido organizada já no fim das eleições de 2000,
a situação seria outra. Em 2000, o PFL foi alijado
pelo PSDB de ser o maior partido no Congresso e parceiro preferencial.
Foi retirado das mesas da Câmara e do Senado. Talvez o erro
tenha sido não entender que já em 2000 deveríamos
buscar uma alternativa própria. Isso só veio depois
da exclusão do PFL da Mesa da Câmara, com a derrota
de Inocêncio Oliveira para Aécio Neves. Os que imaginaram
que aquela decisão do PSDB era isolada, não teria
consequências, atrasaram o processo. O PFL hoje sabe que precisa
ser alternativa de poder nacional e vai se preparar desde já,
para daqui a quatro anos.
ISTOÉ O sr. tem a pretensão de ser o
candidato?
Cesar Não estou dizendo isso, mas é claro
que qualquer político tem ambição. Os nomes
vão surgir das urnas. Se eu eleger o governador do Rio, sou
um nome natural, mas se meu candidato só tiver 3%, é
claro
que não sou.
ISTOÉ Sarney e ACM vão apoiar Lula no
segundo turno
contra Serra?
Cesar Não tenho dúvidas. E não serão
só esses setores.
ISTOÉ Por que o PFL não pode lançar
outro candidato?
Não tem nomes?
Cesar Por falta de tempo. Nomes o partido tem. O próprio
senador Antonio Carlos seria forte, imediatamente. Em 30 dias estaria
cabeça a cabeça com Serra, Ciro e Garotinho. Mas uma
candidatura não se constrói em poucos meses, é
com tempo, programaticamente.
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