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PFL vermelho |
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prefeito do Rio, Cesar Maia, admite apoiar Lula no primeiro
turno e diz que José Serra traz instabilidade e Garotinho é
uma loteria |
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Aziz
Filho
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com Lenin ao fundo: “Lula e a direção do PT estão prontos para
governar” |
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Quando assumiu pela segunda vez a Prefeitura do Rio, em janeiro
do ano passado, o economista Cesar Maia deu sinais de que trocaria
a personalidade espalhafatosa que o consagrou como um maluco beleza
criador de factóides por um comportamento sóbrio,
com maturidade política e menos surpresas. De fato, o alcaide
reduziu a produção de notícias amalucadas,
mas não se livrou da vocação para o imprevisível.
Depois de coordenar a natimorta candidatura de Roseana Sarney, o
mais novo cacique do PFL pisca escancaradamente para o PT de Lula.
A paquera começou tímida no segundo turno de 2000,
ao receber o apoio da hoje governadora Benedita da Silva. Agora,
acena com a retribuição. Para ele, José Serra
ou Ciro Gomes seriam mais instáveis do que Lula na relação
com o Congresso Nacional. Já o PT poderia governar
o Brasil totalmente sem sobressaltos, desde que conseguisse
enquadrar suas bases radicais, como faz em São Paulo e no
Rio Grande do Sul. O PT é um partido social-democrata,
europeu, clássico, define.
De olho no vácuo aberto à direita pela trapalhada
do PFL no cenário nacional, Cesar descarta completamente
uma aliança com Serra e diz que o partido deve trabalhar
desde já uma candidatura forte para 2006. Ainda não
admite publicamente o sonho de se projetar como o nome para levar
o PFL ao Planalto como protagonista e não mais como coadjuvante,
mas trabalha nessa direção. Todo político
deve ter ambição. Aos 56 anos completa
57 em 18 de junho, mesmo dia em que o presidente Fernando Henrique
faz 71 , o prefeito segue uma disciplina rigorosa, com leitura
compulsiva de todas as pesquisas e o acompanhamento de todos os
processos eleitorais relevantes no mundo. Apesar de comportado,
Cesar continua surpreendendo. Em seu amplo gabinete no Piranhão,
apelido da sede da prefeitura carioca, Cesar trabalha cercado por
40 cartazes da revolução soviética, que ele
comprou em 1986, quando estava no PDT. Uma excentricidade para quem
disputou eleições prometendo ser um misto de Jânio
Quadros e Carlos Lacerda.
ISTOÉ As pesquisas apontam Lula acima do tradicional
teto dos 30%, projetando uma vitória no segundo turno. É
a hora de Lula?
Cesar Maia É isso mesmo. O Brasil está
há quatro anos em recessão e com crescimento medíocre.
Isso tirou do governo a capacidade de gerar esperança. A
população reconhece os méritos, mas é
muito difícil projetar esperança nesse quadro. Isso
abriu um grande campo para a oposição e o PT ocupou
inteiramente esse espaço. Quando Ciro Gomes e Anthony Garotinho
correram para esse campo, ele já estava ocupado.
ISTOÉ O desgaste do governo pode abrir caminho
para dois candidatos de oposição no segundo turno?
Cesar É possível, até porque a candidatura
Serra confunde o eleitor. É governo, mas acha que pode ser
diferente. A população não entende, é
como usar o mesmo terno mudando a gravata. O governo está
desgastado para propor algo como fique comigo que vou ser
melhor. Se fosse uma recessão pontual, de um ano ou
um ano e meio, poderiam dizer que tinham respondido bem a uma crise
conjuntural, como a crise asiática. Mas depois vem a crise
russa, a cambial, a crise argentina, o apagão. Como as crises
são sucessivas, o eleitor desconfia que a crise é
o próprio governo. Se a CPMF for plenamente cobrada, teremos
uma carga tributária de 35% do PIB, uma carga nórdica
para serviços de Terceiro Mundo. A cada ano a carga tributária
tem crescido de 5% a 10% acima da inflação, enquanto
o PIB cresce 2%. Como os pobres não podem pagar mais impostos
e a classe média está empobrecida, cobram dos empresários
e afetam a competitividade.
ISTOÉ O sr. assumiu a coordenação
da campanha de Roseana Sarney depois do escândalo da Lunus.
Não se sentiu um síndico de massa falida?
Cesar A campanha só tentou se organizar depois
dos fatos e foi quando eu assumi. Se tivéssemos organizado
antes, nada disso teria acontecido. Numa campanha organizada, você
tem as responsabilidades atribuídas, não tem nenhum
tipo de captação feita por quem não é
autorizado. O fato é que a Roseana resistiu muito e só
admitiu a candidatura em janeiro. Isso atrasou demais a montagem
da coordenação, as responsabilidades.
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