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26/04/2002
Pirataria

Excelente a matéria sobre pirataria. A revista ISTOÉ tem tido um papel de suma importância na discussão de temas absolutamente fundamentais, que muitas vezes são desconhecidos do grande público. São assuntos que abordam problemas que ferem a dignidade e a cultura de um povo. Com a pirataria todos perdem: o consumidor, que muitas vezes pensa em estar adquirindo um produto autêntico; o governo, em razão da evasão fiscal; a indústria, que deixa de empregar; e o dono da marca, que deixa de vender e vê a integridade de sua marca totalmente comprometida. Pirataria é uma questão cultural. Só existe o pirata porque existem pessoas e empresas que compram produtos piratas e dessa forma alimentam a cadeia da falsificação. É a sensação de estar “levando vantagem” em tudo. No momento em que o governo brasileiro, muito apropriadamente, reclama perante a Comunidade Internacional mecanismos de proteção a determinados setores da economia, praticamente ignora a indústria da pirataria no Brasil. “Pirataria S/A” (ISTOÉ 1699).
Paulo Roberto Ferreira
Diretor-geral
São Paulo – SP

Não fugindo à regra da cobertura da imprensa brasileira sobre a pirataria, a “angulação” do fato escolhida pela ISTOÉ foi a de enfatizar o prejuízo das gravadoras multinacionais e do governo na arrecadação de receita sobre a movimentação das mercadorias. Em relação à dificuldade no acesso da maioria da população brasileira aos CDs vendidos oficialmente, essa questão não mereceu atenção similar na cobertura jornalística. Enquanto numa discoteca o CD custa em média R$ 25, no mercado ambulante o mesmo produto vale R$ 5. Ou seja, com R$ 25 o consumidor pode adquirir cinco CDs. Então, por que as gravadoras e as revendedoras oficiais de CD não se esforçam para garantir um preço acessível?
Marcos Fabrício Lopes da Silva
Brasília – DF

Concordo que a pirataria é prejudicial em todos os sentidos, e deve ser punida com rigor. Mas destruir calçados, roupas e brinquedos, tendo 50 milhões de necessitados, não deve ser motivo para entrar no Livro dos recordes, e, sim, no Livro das vergonhas.
Rodrigo S. Santos
Ubaitaba – BA

A pirataria no Brasil realmente é assustadora. Mas tem algo que incentiva muito isso: a renda do brasileiro. Um CD a R$ 20, um brinquedo a R$ 50, um tênis a R$ 100 no mínimo, fora outros produtos em um país onde o salário mínimo é de R$ 200. Espera-se o quê? Um pai de família que ganha salário mínimo ou um pouco mais para ver um sorriso no rosto dos filhos compra um brinquedo na barraca do camelô e não vai se preocupar de onde veio o produto e para onde vai o dinheiro da compra dele. Vai se importar é com a felicidade de seus filhos. Portanto, deve-se combater a causa para não se chegar à consequência, como ocorre hoje em dia. Enquanto houver desigualdade social em nosso país haverá incentivo a todo tipo de criminalidade, desde sequestro relâmpago até pirataria.
Rogério Bastos
Santo André – SP

Ninguém deve concordar com a prática de pirataria, que prejudica tantas pessoas, seja quem cria, seja quem tem seu emprego garantido pelos produtos legais. Mas por que não mostrar a outra face da moeda? Parece que o governo brasileiro e as elites econômicas, com seus impostos altos, vivem na Suíça, onde a renda popular permite consumo fora do básico. É verdade que o produto legal gera empregos e recolhimento de impostos, mas quantas pessoas neste país já conseguiram emprego com software pirata, por exemplo? O que não seria possível de outra maneira. O desenvolvimento de um país se faz com conhecimento e cultura e isso é muito caro para a grande maioria. É necessário combater a pirataria, mas também é preciso combater preços proibitivos para a imensa maioria dos brasileiros, se quisermos ter um Brasil mais justo e mais desenvolvido.
Franz Salviano Borges
Recife – PE

Sejam sinceros, o usuário comum teria condições de ter um computador, com um mínimo de programas originais instalados, a preços tão aviltantes? A favor da pirataria ...ou da redução drástica de preços?
Rogério Leonardo de Oliveira
Niterói – RJ

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