| ARTES
& ESPETÁCULOS |
19/04/2002 |
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| Cinema
I |
Sessão da tarde
A máquina do tempo banaliza o
clássico de H.G. Wells
Luiz Chagas
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Pearce:
cientista, viajante e herói apaixonado |
A exemplo de seus livros mais conhecidos, a novela A máquina
do tempo, do escritor e jornalista inglês H.G. Wells, já
ganhou algumas adaptações cinematográficas.
Entre elas, a mais conhecida é a dirigida por George Pal,
em 1960, com Rod Taylor no papel principal. Ela obedecia à
trama original, na qual um cientista viaja 800 mil anos em direção
ao futuro e encontra a Terra dominada por duas raças: os
elói, seres superiores que vivem na superfície, e
os morlock, canibais imbecilizados, habitantes dos subterrâneos.
Nesta recente versão de A máquina do tempo (The
time machine, Estados Unidos, 2002) cartaz nacional ,
assinada por Simon Wells, bisneto do autor e queridinho da DreamWorks,
o roteirista John Logan deu ao cientista um nome e um motivo. Ele
é Alexander Hartdegen (Guy Pearce) e pretende avançar
ou retroceder no tempo para evitar uma tragédia pessoal.
Só que agora os morlock do futuro têm um líder,
Uber-Morlock (Jeremy Irons), que surge para infernizar a vida de
Hartdegen. Para complicar, o herói ainda cai de amores pela
elói Mara (Samantha Mumba).
Com sustos e aparições fantasmagóricas, o
bisneto de Wells soube gastar muito bem os US$ 70 milhões
da produção, criando também cenas grandiloquentes.
É curiosa, por exemplo, a moradia dos elói, encarapitada
em encostas sobre mares revoltos, que lembram o cenário devastador
de O segredo das águas, no qual Kevin Kostner conseguiu
fazer submergir US$ 175 milhões. A máquina do tempo
é uma boa aventura para a sessão da tarde, mas o velho
Wells não teria gostado nem um pouco de ver sua metafórica
história sobre a cruel luta de classes da Inglaterra do século
XIX ser transformada num corre-corre tresloucado para adolescentes.
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