| ARTES
& ESPETÁCULOS |
19/04/2002 |
 |
| Cinema
II |
Batalha fria
A guerra de Hart é prejudicado
por roteiro
Luiz Chagas
| |
 |
|
|
Willis
(à dir.): fazendo os nazistas de bobos |
Não há nada que combine menos com pipoca e refrigerante
do que filme que precisa de esforço para ser entendido. Portanto,
que ninguém se engane com o título A guerra de
Hart (Harts war, Estados Unidos, 2002), cartaz nacional
a partir da sexta-feira 19, nem mesmo ao saber que Bruce Willis
encabeça o elenco. Afinal, o quarentão duro de matar
nem sequer é o Hart em questão. Nesta trama, ele é
o coronel William McNamara, um calejado herói dos campos
de batalha preso pelos nazistas. Situada nos últimos dias
da Segunda Grande Guerra, a história se passa no hipotético
campo de concentração alemão Stalag VI
um amálgama dos 130 locais mantidos durante o conflito ,
comandado pelo coronel nazista Werner Visser (Marcel Iures). Nas
cenas iniciais, o tenente-herói Thomas W. Hart (Colin Farrell)
surge espremido num trem que se aproxima do campo carregado de prisioneiros
quando é atacado pela aviação aliada. Já
confinado, ao ser inquirido pelo coronel McNamara, fica-se sabendo
que ele teria revelado segredos aos alemães sob tortura.
Mas este não é o drama principal. Com a chegada
de dois oficiais negros da aviação americana, o racismo
impera na prisão. O clima tenso culmina com um assassinato.
Surpreendentemente, os militares nazistas concordam que os americanos
realizem uma corte marcial à qual os anfitriões assistem
deliciados. A guerra de Hart, um advogado em começo de carreira,
é defender o acusado pelo crime que tem tudo a ver com o
sentimento racista vigente. Mas o roteiro confuso não deixa
o espectador entender a trama principal, que é os americanos
fazerem os alemães de bobos. No fundo, o filme é uma
versão sombria do seriado televisivo cômico Guerra,
sombra e água fresca, que passa a mesma mensagem sem
grandes esforços.
|