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| Direitos
humanos |
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Noelle:
educação de juízes e advogados para acelerar os processos
de violência contra a mulher
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Em todo o mundo, uma em cinco mulheres já sofreu violência
física ou psicológica. A cada cinco anos, as mulheres
perdem em média um ano de vida em decorrência da violência
doméstica. Na América Latina e no Caribe, essa violência
atinge de 25% a 50% do sexo feminino. Nos EUA, anualmente, 700 mil
mulheres são violadas. No Brasil, cerca de 70% dos crimes
contra as mulheres são cometidos pelos próprios maridos
ou companheiros. Em 1993, durante a Conferência Mundial dos
Direitos Humanos da ONU, em Viena, na Áustria, ficou estabelecido,
pela primeira vez, que não se pode mais aceitar a violência
de gênero. O caso de Maria Penha, por exemplo, foi baseado
nas normas estabelecidas na Convenção de Belém
do Pará de 1994, que determinou que os governos devem incluir
em sua legislação interna medidas que venham a erradicar
a violência contra a mulher.
Uma das maiores cobranças recai sobre o Judiciário,
cuja morosidade alimenta o sentimento de impunidade. As mulheres
estão cada vez mais dispostas a denunciar, mas a punição
ainda está longe de acontecer. E isso as desestimula,
disse Maria da Penha. Com a resolução da OEA, ela
revigorou suas esperanças de ver seu ex-marido, Marco Antônio
Heredia Viveiros, economista, até hoje solto e lecionando
na Universidade Potiguar do Rio Grande do Norte, atrás das
grades. Para combater a impunidade, algumas organizações
trabalham diretamente com o sistema judiciário. Esse é
o caso do Fundo de Prevenção contra a Violência
Familiar, com sede em São Francisco. A diretora do fundo,
Noelle Colomé, montou um programa educacional especialmente
dirigido aos tribunais. Promovemos cursos para juízes
e advogados que lidam com casos de violência doméstica
para que as vítimas sejam melhor assistidas e as decisões
judiciais possam realmente ter efeito, disse a ativista a
ISTOÉ. A instituição também acaba de
lançar uma campanha dirigida aos pais de família para
que eles se unam às mulheres nessa luta. São
pais que falam a seus filhos sobre a violência que acontece
em casa, onde ocorre a maior parte dos incidentes. Muitos jovens
acabam abusando sexualmente de suas namoradas e quanto mais cedo
os educarmos, melhor será.
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Luz:
criou um programa para os policiais de Santiago que foi incorporado
pelo governo chileno
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O perigo da Aids Noelle, 34 anos, sabe exatamente
a importância de uma mulher ou menina violentada ser bem assistida.
Sua mãe foi estuprada quando ela era garota. Assim como Noelle
e Maria da Penha, a grande maioria que adotou a causa foi vítima
ou conhece alguém que sofreu abuso sexual. A jornalista sul-africana
Charlene Smith, 44 anos, resolveu colocar a boca no trombone depois
de ser estuprada por um homem que entrou em sua casa. Mesmo sendo
ameaçada de morte, Charlene resolveu contar sua história
num país que bate o recorde em número de estupros.
Na África do Sul, são cerca de um milhão de
mulheres estupradas a cada ano. Denunciar o estupro foi mais
fácil para mim do que para outras mulheres porque eu já
era uma jornalista respeitada, disse. No país, ainda
existe nas gangues uma cultura de estupro, chamada jackrolling,
quando jovens saem à caça de garotas com o propósito
explícito de violentá-las. Como a África do
Sul também acumula o maior índice de vítimas
de Aids, muitas vítimas de estupro acabam se contaminando
com o vírus HIV.
Se os pesquisadores sul-africanos explicam o alto índice
de estupros como herança do apartheid, a violência
contra a mulher independe da idade ou da classe social. Os pesquisadores
afirmam que o machismo contribui muito para essa cultura de violência.
De acordo com levantamento realizado em Johannesburgo, 80% dos homens
alegam que cometeram estupro com o consentimento das
mulheres. Passear, tomar um drinque juntos são pretextos
usados muitas vezes nos tribunais como justificativas para o abuso
sexual. Fica, então, mais difícil provar quando o
marido comete o chamado estupro conjugal, o ato sexual não-consentido.
Segundo a Unicef, uma em cada dez mulheres no mundo são vítimas
de estupro cometido por homens que elas conhecem. Temos que
desafiar o mito de que as mulheres pedem para serem estupradas pela
forma como se vestem ou se comportam, afirmou Charlene.
E enfrentar esse desafio às vezes significa receber ameaças
de morte. Assim aconteceu com a chilena Luz Rioseco Ortega, 41 anos,
que fundou o Centro para as Vítimas de Violência Julieta
Kirkwood, depois de anos trabalhando como advogada na periferia
de Santiago, onde centenas de mulheres lhe pediam auxílio
judicial. Cerca de 70% delas já tinham sofrido violências
e ninguém se importava, disse. No início dos
anos 90, Luz montou um programa para educar os policiais e o sucesso
foi tal que foi adotado pelo governo chileno. A polícia
chilena melhorou muito. Hoje ela prende os agressores e atende melhor
às chamadas das vítimas. Antes, os policiais diziam
que as mulheres eram as culpadas pelos estupros, disse a advogada.
Luz conseguiu fazer com que fosse aprovada em seu país a
primeira legislação que pune os agressores e garante
proteção policial às mulheres. Mas o caminho
ainda é longo. No mesmo momento em que Safiya foi absolvida,
uma outra nigeriana recebeu a mesma sentença de morte sob
a acusação de adultério.
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