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 ENTREVISTA
15/03/2002

Ele voltou
Presidente mundial do BankBoston, Henrique Meirelles vai pilotar o banco a partir do Brasil e preparar sua carreira política
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João Paulo Nucci

  Marcos Moura
  Meirelles: o caminho político parece ser inevitável

O mais poderoso homem de finanças brasileiro está voltando ao País. Nos próximos meses, o goiano Henrique de Campos Meirelles, 56 anos, vai trocar a rota Boston–Nova York por Goiânia–São Paulo. O executivo não deixará, a princípio, a presidência mundial do BankBoston, que com o Fleet Bank forma o sétimo maior conglomerado financeiro dos Estados Unidos. As instituições continuarão a ser pilotadas a partir de dois equipadíssimos escritórios já montados no Brasil. Um fica em São Paulo, coração financeiro do País. O outro, em Goiânia, sede de outro projeto de Meirelles: a eleição ao Senado Federal. O caminho político parece ser inevitável na vida desse engenheiro formado pela Universidade de São Paulo. “Eu já cheguei ao topo da carreira. Não há mais desafios no mundo executivo”, afirma.

A militância política já começou, discretamente. O convite para encarar as urnas partiu do presidente Fernando Henrique Cardoso e, na prática, já foi aceito. Só falta decidir se a estréia será no horário eleitoral deste ano ou no de 2006. A decisão sai até junho, época-limite das convenções partidárias. Num horizonte mais amplo, a Presidência da República aparece como um sonho. Ou um desafio, mais um dos muitos superados durante a impressionante carreira de Meirelles – que perdeu a condição de solteirão no ano passado, quando se casou com uma psicóloga mineira.

Ainda professor universitário, Meirelles entrou no BankBoston (então chamado Banco de Boston) brasileiro em 1974. Dez anos depois, era o primeiro brasileiro a ocupar a cadeira de presidente da subsidiária de uma instituição internacional no Brasil. Em outubro de 1996 foi a vez de um novo salto inédito. Meirelles assumiu a presidência mundial do banco, após encantar os americanos com os resultados obtidos na incerta economia brasileira, mesmo sem jamais ter morado fora do País.

Em 1999, o Boston fundiu-se com o Fleet, outro gigante nos Estados Unidos. A fusão, toda dirigida pelo goiano de Anápolis, resultou no sétimo maior grupo financeiro dos Estados Unidos. Mesmo estando no lado mais fraco do negócio – o Fleet era maior que o Boston –, o executivo brasileiro assumiu a presidência responsável pelos clientes corporativos nos EUA e por todas as atividades globais (a instituição tem presença em 32 países). O posto lhe rendeu uma remuneração, em 2000, de exatos US$ 2.955.345. Sua divisão lucra, por ano, US$ 1 bilhão e conta com cerca de 15 mil funcionários.

Famoso pelas jornadas de trabalho que duram até 18 horas, Meirelles recebeu ISTOÉ no belo apartamento que alugou na praia de Iracema, em Fortaleza, durante a Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No fim de tarde de um ensolarado domingo (que havia começado para ele às 4h e ainda estava longe de terminar), o executivo concedeu a seguinte entrevista:

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