Paraíso
sob suspeita
Polícia busca brasileiros
que deram apoio
a sequestradores estrangeiros |
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Luiza
Villaméa e Carlos Magno (fotos) – Porto Murtinho (MS)
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Uma espécie de território independente está
sendo criado em silêncio, em uma área de fronteira
entre o Brasil e o Paraguai. É o paraíso tropical
do reverendo Sun Myung Moon, formado por uma sucessão de
santuários naturais, por onde cruzam os rios Nabileque, Miranda,
Paraguai, Prata e Salobra. No total, as propriedades somam 833 mil
hectares, o que equivale a mais de três Luxemburgos, o grão-ducado
europeu. Nelas caberiam todo o Distrito Federal, além das
cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Se fossem destinadas
à reforma agrária, daria para assentar 41.650 famílias.
Embora ainda não sejam contíguas, as terras vêm
sendo adquiridas tão perto umas das outras que é impossível
não imaginar que estão para unir-se.
Encarregado de preservar a integridade territorial do País,
o Exército já entrou em alerta. Responsável
pelos assuntos de segurança nacional, o general Alberto Cardoso
colocou em campo os homens da Agência Brasileira de Inteligência
(Abin). A Polícia Federal, por sua vez, começou a
rastrear as movimentações financeiras do misterioso
empreendimento.
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Proximidade:
A Fazenda Nova Esperança, no lado brasileiro, ... |
Jardim do Éden O cerco começou depois do anúncio
de Moon, em Nova York, de que pretende criar, em regiões
conflagradas em qualquer ponto do mundo, zonas de paz a serem administradas
pelas Nações Unidas. Para compensar os países
que perderem área por causa da iniciativa, ele prometeu entregar
terras compradas nos países do Mercosul. Parece delírio,
mas a ambição desmedida é coerente com a trajetória
do reverendo Moon. Fundador e líder de uma organização
econômico-religiosa, ele tem raízes espalhadas por
185 países. De acordo com seus seguidores, o vínculo
com esta parte do mundo começou em 1964. Fazia um sobrevôo
pela Cordilheira dos Andes quando sentiu uma inspiração
divina em construir algo na região. Trinta anos depois, durante
visita ao Mato Grosso do Sul, vislumbrou no encontro dos rios Miranda
e Prata uma alusão à confluência entre o Tigre
e o Eufrates (região da antiga Mesopotâmia, atual Iraque),
onde Deus teria criado o Jardim do Éden. Empenhado em erguer
uma réplica do paraíso, Moon comprou no ano seguinte
a Fazenda Nova Esperança, que abriga a união das águas
do Miranda com o Prata.
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e Puerto Casado, a cidade paraguaia da Igreja da Unificação |
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De lá para cá, o líder da Igreja da Unificação
não parou mais. Em seis anos, comprou outras 55 fazendas,
num total de 83 mil hectares de terras próximas à
fronteira. Para ter apoio nas cidades, adquire hotéis, imóveis
residenciais e até postos de gasolina. Do outro lado da divisa,
no Paraguai, sua organização já conta com mais
de 750 mil hectares de terra. No Departamento de Alto Paraguay,
a cidade de Puerto Casado entrou quase toda num pacote
de 260 mil hectares vendido a Moon. O negócio, fechado há
mais de um ano, ameaça o futuro de cinco mil moradores. Entre
as pessoas instadas a abandonar a área está a viúva
Celina de Cabrera, 74 anos, há meio século vivendo
na mesma casa. Daqui não saio, resiste Celina,
rodeada pela família. Antes que o conflito se acirre, o prefeito,
Pedro Martinez, encaminhou ao congresso do Paraguai um pedido de
desapropriação da área urbana. Estamos
muito preocupados, sem saber o que Moon pretende fazer aqui,
reclama Martinez.
Saída para o Atlântico O líder
religioso Kim Yoon Sang, representante máximo de Moon no
Mercosul, conta que sua organização ainda está
pesquisando o potencial das terras paraguaias, para definir sua
destinação. No Brasil, projeto tem 100 mil hectares,
diz o presidente Kim, como é chamado o líder religioso.
É para educação, produção
de alimento e turismo contemplativo, resume, em seu português
peculiar.
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