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15/02/2002 |
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| Cinema |
Poeira de estrelas
Tudo que Hollywood costuma vender
não foi levado em consideração nas pulverizadas
indicações ao Oscar
Osmar Freitas Jr. – Nova York
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Quando a lista dos indicados ao 74º Oscar foi divulgada na
terça-feira 12, o diretor brasileiro Walter Salles estava
em Cuba. Sem querer, ele se encontrava no refúgio perfeito
para os renegados, já que seu filme Abril despedaçado
não foi incluído na relação de concorrentes
à premiação de melhor filme em língua
estrangeira. Em vez da sua obra, a maioria dos 5.736 votantes da
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood
preferiu, por exemplo, estranhamente indicar o musical indiano Lagaan,
que aterrissou nas prateleiras das locadoras de vídeo americanas
sem escalas nas salas de projeção do país.
Seria uma substituição suficiente para fazer o ofendido
pegar em armas e promover uma revolução, certo? Mas
Waltinho, como o cineasta é chamado, não deu um único
tiro. Aliás, nem faz seu gênero. À sua maneira
blasé, ele se entrincheirou em Havana, onde se debruça
sobre uma pesquisa para seu novo trabalho, uma biografia de Che
Guevara. É certo que não é consolo, mas o diretor
se encontra em boa companhia no quesito excluídos. Além
dele, os juízes esnobaram significativamente os filmes Mulholland
drive, do americano David Lynch, que acabou sendo indicado para
a categoria de melhor diretor, O quarto do filho, do italiano
Nanni Moretti, e Il mio viaggio a Italia, do eterno refutado
Martin Scorsese, há décadas um dos melhores profissionais
do cinema americano, mas que como diretor nunca recebeu um Oscar.
Desta maneira, Salles integrou uma outra lista: a dos melhores esnobados.
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Nicole
e os seres de O senhor dos anéis: concorrentes
a melhor atriz e melhor filme
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Na verdade, tudo o que Hollywood costuma vender não foi
levado em consideração. Blockbusters como Harry
Potter e a pedra filosofal ou Pearl Harbor só
integram as categorias menos nobres. Mesmo O senhor dos anéis
a sociedade do anel, de Peter Jackson, que concorre em
13 categorias, não fechou o ciclo dos chamados cinco grandes
(filme, diretor, ator, atriz e roteiro). Para o quase desconhecido
Jackson concorrer a um troféu de melhor diretor, melhor filme
e melhor trilha sonora, entre outros, foi uma festa e um alívio.
Principalmente, se considerar que a New Line um miniestúdio
dentro da gigante AOL Time Warner prometeu US$ 300 milhões
para a trilogia baseada no livro do sul-africano J.R.R. Tolkien.
Caso Jackson fracassasse, provavelmente a New Line cancelaria o
compromisso, dando os anéis para não perder os dedos.
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