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 POLÍTICA
30/01/2002
Especial continua...

Tiros na eleição
Explosão da violência no País, liderada por São Paulo, atinge candidatura de Alckmin e respinga em José Serra

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Sônia Filgueiras e Weiller Diniz

Lindauro Gomes; André Dusek

O calcanhar-de-aquiles do governo federal na eleição de outubro não será, como se imaginava no ano passado, o apagão. A explosão de violência no País, liderada pelo seu maior Estado, São Paulo, trouxe para o primeiro plano da sucessão presidencial o aumento da criminalidade e a impunidade. Em sete anos, o governo de Fernando Henrique Cardoso, assim como seus correligionários paulistas, não conseguiu controlar o problema. Os tucanos reconhecem que o estrago da sequência de crimes bárbaros em São Paulo, agravada pela execução do prefeito petista de Santo André, foi devastador na imagem do governo dentro e fora de casa. E tem potencial para ser ainda maior. “O impacto é muito grande. Estamos avaliando os desdobramentos na campanha”, afirmou o presidente nacional do PSDB, José Aníbal (SP), de olho na recém-lançada candidatura do ministro da Saúde, José Serra. O próprio FHC admitiu toda sua apreensão com os reflexos negativos ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), na terça-feira 22, durante um almoço em Brasília. “Não há como ficar fora do assunto. Estou preocupadíssimo”, reconheceu FHC.

Na tentativa de minimizar o problema, FHC decidiu repetir a estratégia de junho de 2000, quando a televisão transmitiu ao vivo o trágico desfecho do sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro. Relançou propostas de combate à violência, trazendo mais uma vez o encargo do problema para o Planalto. Como o último plano não saiu do papel, não há garantias de que desta vez terá êxito. Pior do que o risco eleitoral, o presidente corre o risco de entregar a seu sucessor um país fora de controle. “A criminalidade e o banditismo alcançaram a esfera política. A contaminação é perigosa. A Colômbia está aí para nos mostrar”, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis. “É preciso uma ação emergencial e, nesse caso, é crucial a liderança do presidente”, completa. Diagnóstico idêntico foi levado pelo PT no primeiro encontro entre FHC e o candidato Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto, na terça-feira 22. “Nós estamos vendo o crescimento do crime organizado, que já tem braços políticos, na polícia, no Judiciário e no poder econômico”, disse Lula ao presidente. Por enquanto, são as urnas que levam FHC a temer o desgaste da explosão do crime no País.

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O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, está longe de ser esclarecido. As suspeitas envolvem, inclusive, a principal testemunha, o empresário Sérgio Gomes da Silva. Você acha que foi crime político ou crime comum?

 
 
 
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