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Tiros na eleição
Explosão da violência no País,
liderada por São Paulo, atinge candidatura de Alckmin e respinga
em José Serra
Sônia
Filgueiras e Weiller Diniz
| Lindauro
Gomes; André Dusek |
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O calcanhar-de-aquiles do governo federal na eleição
de outubro não será, como se imaginava no ano passado,
o apagão. A explosão de violência no País,
liderada pelo seu maior Estado, São Paulo, trouxe para o
primeiro plano da sucessão presidencial o aumento da criminalidade
e a impunidade. Em sete anos, o governo de Fernando Henrique Cardoso,
assim como seus correligionários paulistas, não conseguiu
controlar o problema. Os tucanos reconhecem que o estrago da sequência
de crimes bárbaros em São Paulo, agravada pela execução
do prefeito petista de Santo André, foi devastador na imagem
do governo dentro e fora de casa. E tem potencial para ser ainda
maior. O impacto é muito grande. Estamos avaliando
os desdobramentos na campanha, afirmou o presidente nacional
do PSDB, José Aníbal (SP), de olho na recém-lançada
candidatura do ministro da Saúde, José Serra. O próprio
FHC admitiu toda sua apreensão com os reflexos negativos
ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), na terça-feira
22, durante um almoço em Brasília. Não
há como ficar fora do assunto. Estou preocupadíssimo,
reconheceu FHC.
Na tentativa de minimizar o problema, FHC decidiu repetir a estratégia
de junho de 2000, quando a televisão transmitiu ao vivo o
trágico desfecho do sequestro de um ônibus no Rio de
Janeiro. Relançou propostas de combate à violência,
trazendo mais uma vez o encargo do problema para o Planalto. Como
o último plano não saiu do papel, não há
garantias de que desta vez terá êxito. Pior do que
o risco eleitoral, o presidente corre o risco de entregar a seu
sucessor um país fora de controle. A criminalidade
e o banditismo alcançaram a esfera política. A contaminação
é perigosa. A Colômbia está aí para nos
mostrar, diz o cientista político Fábio Wanderley
Reis. É preciso uma ação emergencial
e, nesse caso, é crucial a liderança do presidente,
completa. Diagnóstico idêntico foi levado pelo PT no
primeiro encontro entre FHC e o candidato Luiz Inácio Lula
da Silva no Planalto, na terça-feira 22. Nós
estamos vendo o crescimento do crime organizado, que já tem
braços políticos, na polícia, no Judiciário
e no poder econômico, disse Lula ao presidente. Por
enquanto, são as urnas que levam FHC a temer o desgaste da
explosão do crime no País.
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