| MEDICINA
& BEM ESTAR |
30/01/2002 |
Foco
ampliado
Nova
lente para catarata permite que paciente
enxergue bem de longe e também de perto
Visão
eficaz
Francisco
Alves Filho
| Carlos
Magno |
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Léa não precisa mais dos óculos para ver a pequena distância |
Depois que o tempo da cirurgia de catarata foi reduzido para apenas
alguns minutos, imaginava-se que tão cedo não apareceria
algum avanço científico significativo nessa área.
Mas o oftalmologista inglês Stuart Cummings acaba de melhorar
o que já era bom. Ele desenvolveu uma nova lente que proporciona
ao paciente uma boa visão tanto para longe quanto para perto.
As lentes usadas atualmente não permitem que o paciente enxergue
bem em qualquer distância. O que os oftalmologistas
fazem hoje em dia é adaptar a lente para longe ou para perto.
Quando a adaptação é feita para maior distância,
a visão para distâncias menores fica prejudicada, e
vice-versa, explicou a ISTOÉ o pesquisador Cummings.
Com a nova prótese, esse problema desaparece.
A catarata caracteriza-se pela opacificação do cristalino
(estrutura transparente responsável pela retração
do olho na hora de focar algum objeto). A doença afeta milhões
de pessoas em todo o mundo, sendo a maior parte homens e mulheres
acima dos 65 anos. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia
estima que 450 mil operações sejam feitas anualmente.
As cirurgias são realizadas para que o cristalino possa ser
substituído pela lente.
A nova técnica é resultado de dez anos de pesquisa
e consiste no implante de lentes especiais, com hastes laterais
de silicone. É algo parecido com óculos minúsculos,
com uma lente só. As hastes de silicone funcionam como se
fossem dobradiças ligadas à musculatura interna do
olho. Por isso mesmo, seguem a contração desses músculos,
permitindo a movimentação da lente. Essa mobilidade
serve para ajustar o foco para qualquer distância. As primeiras
lentes para o tratamento da catarata faziam com que os pacientes
apresentassem dificuldades para ajustar o foco para perto. Com a
evolução tecnológica, surgiram as lentes bifocais,
que pareciam ser a solução, mas provocavam distorções
nas imagens. A pesquisa de Cummings parece resolver esse problema.
No Brasil, cerca de 70 pacientes já receberam essa
lente e estão obtendo bons resultados, conta o oftalmologista
carioca Carlos Roberto Paiva Gonçalves, professor da Universidade
Gama Filho e um dos coordenadores do estudo que está sendo
realizado no País para verificar a eficácia da novidade.
A professora Léa Campos, 47 anos, é uma das 70 pessoas
que receberam a nova lente e está satisfeita. Antes
eu enxergava muito mal a pequena distância, necessitava de
óculos. Hoje tiro a sobrancelha sem precisar de óculos,
conta Léa. A lente já está sendo usada com
sucesso na Europa e o FDA órgão que autoriza
e fiscaliza o uso de medicamentos nos Estados Unidos está
analisando a possibilidade de utilizar o produto em pacientes americanos.
No Brasil, a lente está sob avaliação do Ministério
da Saúde e só deverá estar à venda no
final deste semestre. O preço ainda não foi definido.

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