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 INTERNACIONAL
30/01/2002
Direitos Humanos continua...

Sob suspeita
EUA são criticados por maus-tratos aos detentos da
guerra do Afeganistão alojados em Guantánamo, Cuba

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Kátia Mello

AP
“As vendas nos olhos são uma tática conhecida para deprimir os sentidos. Assim, fica mais fácil arrancar informações”
Samuel Thomason, Cruz Vermelha

Quando Fidel Castro assumiu o poder em 1959, o presidente americano Dwight Eisenhower negou-se a devolver ao governo cubano a Baía de Guantánamo, ao Sul de Cuba. Os americanos que a ocupam desde a Guerra Hispano-Americana de 1898 não tinham nenhum interesse em deixar a base naval construída ali em 1903. Anos depois, nesta baía foram levantadas dezenas de prisões pelas quais já passaram haitianos. Nas últimas décadas, a baía estava encoberta por uma nuvem de marasmo, mas agora se tornou o epicentro de uma polêmica entre EUA, União Européia, ONU e defensores de direitos humanos. Guantánamo foi o destino de 158 prisioneiros da al-Qaeda e do Taleban presos pelas tropas americanas no Afeganistão. Apesar de o envio de novos prisioneiros ter sido temporariamente suspenso pelo Pentágono, ainda estão no Afeganistão 270 detentos sob custódia dos EUA.

A polêmica sobre os prisioneiros da guerra do Taleban começou depois da divulgação na imprensa inglesa de fotos dos primeiros detidos. Eles aparecem agachados, algemados, com os olhos vendados e as pernas amarradas. Suas cabeças e barbas foram raspadas, o que fere a prática da lei islâmica. Durante a viagem do Afeganistão a Cuba, alguns foram até sedados, com o argumento de que eram “perigosos e com tendência ao suicídio”. O secretário de Defesa dos EUA, Ronald Rumsfeld, chegou a dizer que a máscara usada era para não “espalhar tuberculose”. O descaso com os prisioneiros irritou o secretário das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jack Straw, que disse que “não importa o motivo pelo qual os prisioneiros foram detidos, eles devem ser tratados de modo humanitário”. Entre os prisioneiros alojados no chamado “Acampamento Raio-X” – por causa da semelhança com a estrutura de ossos humanos – estão três britânicos. Mas o premiê britânico, Tony Blair, contemporizou e disse que não havia nada de errado no procedimento dos americanos em Guantánamo.

Leia mais nas próximas páginas:

Em celas abertas, cercadas por arame farpado, detidos estão sujeitos a chuva e vento

 

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Por Maurício Bernis
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