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Sob
suspeita
EUA são criticados por maus-tratos aos detentos da
guerra do Afeganistão alojados em Guantánamo, Cuba
Kátia
Mello
| AP |
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“As vendas nos olhos são uma tática conhecida para deprimir
os sentidos. Assim, fica mais fácil arrancar informações”
Samuel Thomason, Cruz Vermelha |
Quando Fidel Castro assumiu o poder em 1959, o presidente americano
Dwight Eisenhower negou-se a devolver ao governo cubano a Baía
de Guantánamo, ao Sul de Cuba. Os americanos que a ocupam
desde a Guerra Hispano-Americana de 1898 não tinham nenhum
interesse em deixar a base naval construída ali em 1903.
Anos depois, nesta baía foram levantadas dezenas de prisões
pelas quais já passaram haitianos. Nas últimas décadas,
a baía estava encoberta por uma nuvem de marasmo, mas agora
se tornou o epicentro de uma polêmica entre EUA, União
Européia, ONU e defensores de direitos humanos. Guantánamo
foi o destino de 158 prisioneiros da al-Qaeda e do Taleban presos
pelas tropas americanas no Afeganistão. Apesar de o envio
de novos prisioneiros ter sido temporariamente suspenso pelo Pentágono,
ainda estão no Afeganistão 270 detentos sob custódia
dos EUA.
A polêmica sobre os prisioneiros da guerra do Taleban começou
depois da divulgação na imprensa inglesa de fotos
dos primeiros detidos. Eles aparecem agachados, algemados, com os
olhos vendados e as pernas amarradas. Suas cabeças e barbas
foram raspadas, o que fere a prática da lei islâmica.
Durante a viagem do Afeganistão a Cuba, alguns foram até
sedados, com o argumento de que eram perigosos e com tendência
ao suicídio. O secretário de Defesa dos EUA,
Ronald Rumsfeld, chegou a dizer que a máscara usada era para
não espalhar tuberculose. O descaso com os prisioneiros
irritou o secretário das Relações Exteriores
da Grã-Bretanha, Jack Straw, que disse que não
importa o motivo pelo qual os prisioneiros foram detidos, eles devem
ser tratados de modo humanitário. Entre os prisioneiros
alojados no chamado Acampamento Raio-X por causa
da semelhança com a estrutura de ossos humanos estão
três britânicos. Mas o premiê britânico,
Tony Blair, contemporizou e disse que não havia nada de errado
no procedimento dos americanos em Guantánamo.
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