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 ECONOMIA & NEGÓCIOS 30/01/2002
Aviação continua...

Mistério no ar
Empresário goiano surge do nada, paga R$ 1
pela Transbrasil e assume dívida de R$ 1 bilhão

João Paulo Nucci

Davilyn Dourado
Dílson Fonseca é réu em cinco processos por calotes em suas antigas empresas, mas promete voltar a voar nas próximas semanas

A Transbrasil foi vendida por R$ 1, na terça-feira 22. O novo dono, o empresário goiano Dílson Prado da Fonseca, 36 anos, assumiu a companhia – ou o que restou dela – e uma dívida de R$ 1 bilhão, que confessa não ter a menor idéia de como pagar. A única certeza da transação, até agora, é que o ex-presidente Antonio Cipriani se livra dos credores e mantém intacto seu patrimônio – que inclui minas de pedras preciosas no Brasil e uma estação de esqui no Colorado (EUA).

A chegada de Fonseca à empresa é um mistério até para os mais experientes profissionais do mercado aeronáutico. Muitos acreditam, inclusive, que Fonseca seria um testa-de-ferro de Cipriani e estaria sendo usado para proteger os bens do ex-presidente, que se tornariam indisponíveis em caso de falência. “Conheci o Cipriani aqui na Transbrasil, na semana passada”, diz o empresário.

Seu histórico no setor se resume à administração de algumas empresas de táxi aéreo de minúsculo porte e de curta vida. Sua última aventura no mercado, a Fly Brazil, está parada desde 2000. O currículo do novo dono da Transbrasil, uma empresa de 47 anos que não voa desde dezembro por não conseguir honrar dívidas com fornecedores, também traz alguns problemas com dívidas. Só em Goiânia, ele é réu em cinco processos abertos por falta de pagamento.

Para tentar acalmar o mercado, Fonseca convocou a imprensa para uma entrevista coletiva na sede da empresa, em São Paulo, na quarta-feira 23. Demonstrando muito sangue-frio em meio ao tiroteio de perguntas – pouquíssimas com respostas convincentes —, Fonseca deu sua versão do negócio. Disse que resolveu assumir a Transbrasil – e não criar uma nova empresa como a Gol, que custou um investimento de US$ 20 milhões – por causa da tradição da marca e do alto nível dos funcionários. “A empresa está há 20 anos sem acidentes. E o que vale são as ‘pessoas humanas’ que trabalham aqui”, diz, prometendo, inclusive, recontratar funcionários demitidos nos últimos meses e pagar os salários atrasados desde setembro. Nem o fato de contar com 100 mil clientes furiosos que compraram passagens e não conseguiram embarcar abala o empresário. Ele jura que vai honrar os bilhetes (em dobro, ressalte-se) assim que assumir definitivamente os 78% de ações que comprou – o restante está dividido entre a Fundação Transbrasil, ainda presidida por Cipriani, e o mercado acionário.

Leia mais nas próximas páginas:

Seu débito com a Receita Federal, segundo ele, "é de apenas uns R$ 1 mil"

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