| ECONOMIA
& NEGÓCIOS |
30/01/2002 |
Apagaram os investimentos
- continuação
Célia
Chaim
| Renato
Velasco |
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Rio: filas na porta de bancos, como a agência do BB na Rio
Branco
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O que nenhum relatório oficial certamente vai falar é
que o País ficou no escuro por uma falha que teoricamente
seria banal não estivesse o sistema elétrico operando
no limite de sua capacidade. O blecaute de segunda-feira mostrou
mais uma vez que o sistema de energia do Brasil é vulnerável,
disse o físico Luiz Pinguelli Rosa, vice-diretor da Coordenação
dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia
(Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Estado mais
atingido foi São Paulo, com 84% da carga. Mas poucos escaparam
do caos. É o efeito Pedro Malan, que só pensa
em pagar dívida, diz Pinguelli Rosa. A explicação
correta é que não há investimento no setor.
Como a malha de distribuição da energia produzida
no Brasil é interligada, a falta de investimento faz com
que qualquer problema localizado tome proporções nacionais.
Daí o acidente em cascata, provocando o desligamento de 13
das 18 turbinas de Itaipu, responsável por 30% do fornecimento
de energia no País.
Isso não quer dizer que a culpa do apagão é
da malha de interligação, considerada por vários
especialistas o melhor sistema de distribuição justamente
por evitar o que aconteceu: quando falta energia numa área,
a rede socorre. Qualquer argumento contra é uma irracionalidade,
diz Pinguelli Rosa. O que tem de mal no sistema interligado
é por falta de investimento, fazendo com que uma falha pequena
provoque esse transtorno enorme. Seria como se um carro bom,
tipo Volvo, andasse com pneu careca e sem freio sobre uma pista
com óleo: não há tecnologia sueca que segure.
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