EDIÇÃO Nº 1687
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 ECONOMIA & NEGÓCIOS 30/01/2002
Energia continua...

Apagaram os investimentos - continuação

Célia Chaim

Renato Velasco
Rio: filas na porta de bancos, como a agência do BB na Rio Branco

O que nenhum relatório oficial certamente vai falar é que o País ficou no escuro por uma falha que teoricamente seria banal não estivesse o sistema elétrico operando no limite de sua capacidade. “O blecaute de segunda-feira mostrou mais uma vez que o sistema de energia do Brasil é vulnerável”, disse o físico Luiz Pinguelli Rosa, vice-diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Estado mais atingido foi São Paulo, com 84% da carga. Mas poucos escaparam do caos. “É o efeito Pedro Malan, que só pensa em pagar dívida”, diz Pinguelli Rosa. “A explicação correta é que não há investimento no setor.” Como a malha de distribuição da energia produzida no Brasil é interligada, a falta de investimento faz com que qualquer problema localizado tome proporções nacionais. Daí o acidente em cascata, provocando o desligamento de 13 das 18 turbinas de Itaipu, responsável por 30% do fornecimento de energia no País.

Isso não quer dizer que a culpa do apagão é da malha de interligação, considerada por vários especialistas o melhor sistema de distribuição justamente por evitar o que aconteceu: quando falta energia numa área, a rede socorre. “Qualquer argumento contra é uma irracionalidade”, diz Pinguelli Rosa. “O que tem de mal no sistema interligado é por falta de investimento, fazendo com que uma falha pequena provoque esse transtorno enorme”. Seria como se um carro bom, tipo Volvo, andasse com pneu careca e sem freio sobre uma pista com óleo: não há tecnologia sueca que segure.

Leia mais nas próximas páginas:

O desleixo causou um prejuízo de quase R$ 100 milhões à indústria do Rio...

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