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 ECONOMIA & NEGÓCIOS 30/01/2002
Energia continua...

Apagaram os investimentos
A incrível história do parafuso frouxo que causou
o blecaute reflete a precariedade e o desleixo do
sistema de energia no País

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Célia Chaim

Davilin Dourado
São Paulo: o metrô parou, 4.500 sinais de trânsito apagaram e a circulação na cidade, que já é caótica, ficou 11 vezes mais carregada

Foram dois cabos de transmissão. Um caiu e outro, que fazia o mesmo trajeto, parou de funcionar. Imediatamente, 67 milhões de brasileiros de dez Estados, além do Distrito Federal, ficaram no escuro. Uma surpresa para o governo, segundo admitiu no dia o próprio ministro das Minas e Energia, José Jorge; um susto enorme para a população, já acuada com a explosão da violência. E uma explicação extraordinária: o apagão que aconteceu na segunda-feira 21, com o rompimento de duas linhas de transmissão entre a hidrelétrica de Ilha Solteira e a subestação de Araraquara, no Estado de São Paulo, provocando uma interrupção no fornecimento que variou de menos de dez minutos, em Brasília a mais de sete horas em algumas cidades paulistas, foi provocado por um prosaico parafuso frouxo em uma das junções que seguravam as linhas de transmissão.

Segundo a explicação oficial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o tal parafuso acabou causando um desgaste que terminou no rompimento de um dos cabos, problema agravado com a pane no sistema de segurança. Ele deveria ter desligado apenas uma linha, mas desligou dois cabos de transmissão. Deu no que deu: o Brasil, que anda frequentando o noticiário internacional por causa da assombrosa violência, ganhou mais espaço na mídia estrangeira com a insólita história do parafuso – aliás, tão bisonha quanto à do raio que, em 11 de março de 1999, deixou 76 milhões de brasileiros no escuro. A desculpa esfarrapada do governo de que um raio teria atingido uma torre de distribuição da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em Bauru, não resistiu a depoimentos e documentos: o apagão de 1999 ocorreu porque o esquema não estava preparado para a sobrecarga.

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O desleixo causou um prejuízo de quase R$ 100 milhões à indústria do Rio...

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