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 CIÊNCIA E TECNOLOGIA
30/01/2002
Aids

Luta em nome da vida - continuação

Celina Côrtes

Negligência – A Aids não é o único foco da Far-Manguinhos. Uma de suas divisões produz remédios para doenças como tuberculose, malária ou hanseníase. Embora o número de unidades tenha crescido 220% nos últimos quatro anos, esses males não atraem a atenção dos laboratórios privados porque acometem pessoas de baixo poder aquisitivo. “Dois bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a remédios vitais. Far-Manguinhos garante a produção desses medicamentos no Brasil, com controle de qualidade”, elogia a espanhola Ofélia García, coordenadora geral dos Médicos sem Fronteiras, entidade francesa que conta com o apoio de empresas internacionais para pesquisar e tratar doenças negligenciadas pelos grandes laboratórios.

Injeção histórica
Marco Rezende
Prédio erguido sob o comando do sanitarista Oswaldo Cruz

Em 1900, quando nascia o Instituto Soroterápico Federal, mais tarde batizado de Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil era considerado o túmulo dos estrangeiros. Febre tifóide, varíola, tuberculose, febre amarela, malária, difteria, rubéola e peste bubônica afastavam os turistas a ponto de países como a Itália proibirem a viagem a terras brasileiras. De simples produtor, o instituto passou a se dedicar à pesquisa e à medicina experimental, sobretudo depois que o sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917) assumiu sua direção, em 1902. Dois anos depois, num de seus arroubos para combater mosquitos, Cruz enfrentou até um levante popular, que entrou para a história como a Revolta da Vacina. Era a resistência da população em se proteger contra a varíola, doença contagiosa que se manifesta em erupções cutâneas e mata um terço das vítimas.

Na semana passada, curiosamente, Bio-Manguinhos, divisão da Fiocruz que produz vacinas e testes para diagnosticar doenças, anunciou a volta da produção da injeção contra a varíola, suspensa desde 1970. Dessa vez, a medida foi tomada diante da iminente ameaça de uma guerra bacteriológica, desencadeada pelos atentados de 11 de setembro. Mesmo antes da disseminação da bactéria antraz pelo correio americano, Akira Homma, responsável pela produção dos imunizantes, já pensava em retomar a fabricação da vacina em vista da assustadora rapidez com que o vírus da varíola se propaga. Brasil e Estados Unidos serão os únicos países produtores da vacina.

A luta contra a dengue também é travada na Fiocruz. Far-Manguinhos desenvolveu uma vela feita com o bagaço da andiroba, planta amazônica que reduz entre 70% e 100% o apetite da fêmea do mosquito Aedes aegypti, responsável pela picada que transmite a doença. Far-Manguinhos licenciou dez laboratórios brasileiros para fabricar a vela, vendida entre R$ 2 e R$ 8. Mais um ponto para essa ilha de excelência.

 

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