| Marco
Rezende |
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| Prédio
erguido sob o comando do sanitarista Oswaldo Cruz |
Em 1900, quando nascia o Instituto Soroterápico Federal,
mais tarde batizado de Fundação Oswaldo Cruz,
o Brasil era considerado o túmulo dos estrangeiros.
Febre tifóide, varíola, tuberculose, febre amarela,
malária, difteria, rubéola e peste bubônica
afastavam os turistas a ponto de países como a Itália
proibirem a viagem a terras brasileiras. De simples produtor,
o instituto passou a se dedicar à pesquisa e à
medicina experimental, sobretudo depois que o sanitarista
Oswaldo Cruz (1872-1917) assumiu sua direção,
em 1902. Dois anos depois, num de seus arroubos para combater
mosquitos, Cruz enfrentou até um levante popular, que
entrou para a história como a Revolta da Vacina. Era
a resistência da população em se proteger
contra a varíola, doença contagiosa que se manifesta
em erupções cutâneas e mata um terço
das vítimas.
Na semana passada, curiosamente, Bio-Manguinhos, divisão
da Fiocruz que produz vacinas e testes para diagnosticar doenças,
anunciou a volta da produção da injeção
contra a varíola, suspensa desde 1970. Dessa vez, a
medida foi tomada diante da iminente ameaça de uma
guerra bacteriológica, desencadeada pelos atentados
de 11 de setembro. Mesmo antes da disseminação
da bactéria antraz pelo correio americano, Akira Homma,
responsável pela produção dos imunizantes,
já pensava em retomar a fabricação da
vacina em vista da assustadora rapidez com que o vírus
da varíola se propaga. Brasil e Estados Unidos serão
os únicos países produtores da vacina.
A luta contra a dengue também é travada na
Fiocruz. Far-Manguinhos desenvolveu uma vela feita com o bagaço
da andiroba, planta amazônica que reduz entre 70% e
100% o apetite da fêmea do mosquito Aedes aegypti,
responsável pela picada que transmite a doença.
Far-Manguinhos licenciou dez laboratórios brasileiros
para fabricar a vela, vendida entre R$ 2 e R$ 8. Mais um ponto
para essa ilha de excelência.
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