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 CIÊNCIA E TECNOLOGIA
30/01/2002
Aids continua...

Luta em nome da vida
Referência nacional, o laboratório Far-Manguinhos
briga para reduzir o preço de mais um remédio do
coquetel, estuda duas novas cápsulas 100% brasileiras
e exporta conhecimento para a África

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Celina Côrtes

Renato Velasco
Laboratório: tecnologia para competri com multinacionais

O ano de 2002 começa com mais um round na batalha para garantir à população o fornecimento gratuito de remédios contra a Aids. De um lado do ringue estão os laboratórios farmacêuticos privados, que detêm o direito de propriedade para produzir o coquetel de pílulas que trata os 597 mil brasileiros portadores do vírus HIV. Do outro, um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia em Fármacos, ou Far-Manguinhos, laboratório que integra a centenária Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e onde são fabricados sete dos 12 medicamentos que combatem a doença. O novo capítulo dessa disputa será travado contra a multinacional GlaxoSmithKlein, fabricante do Amprenavir. O instituto carioca agora exerce pressão para que o preço do frasco seja reduzido de US$ 2 para US$ 1,20, uma queda de 40%. É mais uma briga de Davi e Golias. Na primeira queda-de-braço, em agosto do ano passado, o Ministério da Saúde venceu um duelo travado com os laboratórios Merck e Roche, fabricantes do Efavirenz e do Nelfinavir, respectivamente. O governo ameaçou quebrar a patente dos laboratórios por considerar seus preços abusivos e acabou negociando uma redução média de 40%, o que resultou numa economia de US$ 148 milhões, ou 36% nos gastos públicos com antivirais.

Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, o laboratório pesquisa novos remédios 100% nacionais para inibir as enzimas que fazem o vírus HIV se replicar. A equipe também trabalha para reunir em uma única fórmula três princípios diferentes, o que reduziria o número indigesto de cápsulas do coquetel. O front da guerra contra a Aids está aglutinado num espaço de 500 metros quadrados dentro de Far-Manguinhos, um mergulho no Primeiro Mundo em plena miserável avenida Brasil, na zona norte do Rio de Janeiro. O prédio erguido em 1900 para fabricar soro contra a peste bubônica é um marco arquitetônico e foi construído sob a tutela do sanitarista Oswaldo Cruz, que no início do século passado instituiu a vacinação obrigatória contra a varíola e criou a profissão de comprador de ratos para erradicar a peste das ruas do Rio de Janeiro, então capital brasileira.

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