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 CIÊNCIA E TECNOLOGIA
30/01/2002
Meio ambiente

Cuidado: turistas - continuação

Valeria Propato

Ricardo Chaves
Taxa de R$ 1,7 mil para estadia de um mês

Limpeza – Em maio deve começar a primeira etapa do projeto ecológico orçado em R$ 1,5 milhão, que inclui tratamento de esgoto, aquisição de reservatórios para embalar o lixo e de uma barcaça para transportar dejetos para o Lixão do Ariró, em Angra. “Vamos intensificar o trabalho de educação nas escolas, nos barcos, no porto e com os moradores”, planeja o gerente de meio ambiente da prefeitura, Lício da Fonseca. O advogado e ex-deputado estadual Aloisio Oliveira propõe que policiais florestais fardados multem os infratores. “Poderíamos seguir o exemplo de Bonito, no Mato Grosso do Sul, onde o turista vai e volta acompanhado pelo guia”, observa.

Quem busca o prazer da exploração solitária vai chiar. O controle de acesso, previsto para 2003, também promete choradeira. A farra na Ilha Grande hoje é garantida por barcas que atravessam o mar de Angra de domingo a domingo, em três horários ao dia, com lotação de mil passageiros cada uma. Embarcações particulares para até 90 passageiros e pequenas traineiras estão por todos os cantos. O prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão (PSB), reconhece que é tarefa árdua monitorar o acesso, mas, em ano de eleição, trata de abrandar o discurso. “Vamos primeiro estudar a capacidade de carga da ilha para estabelecer um sistema de controle envolvendo hotéis, marinas, barcos e guarda costeira. Não vamos proibir ninguém. Se a ilha estiver lotada, é bom se preparar para ir e voltar no mesmo dia”, avisa Jordão. O secretário estadual de Saúde, André Corrêa, não descarta a possibilidade de se adotar um imposto ecológico, como o cobrado na ilha de Fernando de Noronha, em Pernambuco, e no Parque Marinho de Abrolhos, na Bahia, para manutenção e limpeza. Em Fernando de Noronha, a taxa de preservação ambiental é progressiva. Começa com R$ 22 no primeiro dia da estadia e em um mês totaliza R$ 1,7 mil. O acesso é por avião, apenas duas companhias operam a linha e no aeroporto o turista preenche uma ficha de controle migratório informando aonde vai e por quanto tempo. Em Abrolhos, há 15 embarcações credenciadas para transportar turistas. Cada uma tem capacidade para 15 passageiros, que pagam R$ 10 para dormir no barco, já que não há hotéis no arquipélago. Como as mudanças em Ilha Grande, por enquanto, se resumem a um compromisso no papel, os moradores dizem que só acreditam vendo. Mas torcem pelo projeto: é a forma de manter intacto o paraíso onde vivem.

 

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