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CIÊNCIA
E TECNOLOGIA
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30/01/2002 |
Cuidado: turistas
Acesso
limitado à Ilha Grande, no Rio, é uma das saídas para conter a degradação
provocada pelo excesso de visitantes
Valeria
Propato
| Pedro
Agilson |
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| Educação,
controle do lixo e do esgoto |
Chega o verão e o País inteiro tem a mesma idéia:
deitar numa praia deserta, longe do relógio e da confusão
da cidade. Recarregadas as baterias, na volta para casa o visitante
traz quase sempre uma infração ambiental
no currículo e nenhuma culpa. Quem nunca enterrou na areia
uma ponta de cigarro, um papel amassado ou um copo de plástico,
torcendo para não ser pego no flagra? Na maioria dos casos,
não há intenção de poluir e destruir
o planeta. Imagina-se que o mar é grande demais, a Terra
é grande demais e uma lata de refrigerante no mato não
trará tantos danos assim, mesmo que demore mais de 100 anos
para se decompor. Desculpável ou não, a falta de educação
obrigou o Brasil a se defender dos turistas.
O Ministério do Meio Ambiente, o Estado e o município
do Rio de Janeiro acabam de assinar o Termo de Ajustamento de Conduta
Ambiental para salvar a Ilha Grande, uma das maiores reservas de
Mata Atlântica do Rio, com 106 praias de águas cristalinas
espalhadas por 187 quilômetros quadrados. O termo prevê
remoção de lixo, instalação de redes
de esgoto, reflorestamento, fiscalização de pousadas
e acampamentos, criação de programas de educação
ambiental e, talvez, a mudança mais controversa, a limitação
do número de turistas. A ilha abriga cinco mil moradores
e recebe cerca de dois mil aventureiros nos fins de semana. Paulistas,
cariocas, mineiros e argentinos são os frequentadores mais
assíduos.
| Vidal
Cavalcante/AE |
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| Apenas
dez embarcações credenciadas e R$ 10 para dormir no mar |
O turismo desordenado e predatório, aliado à ação
dos nativos que alteram o ambiente para sobreviver, constitui a
maior ameaça à preservação dos santuários
ecológicos. Acontece em Morro de São Paulo, na Bahia,
Jericoacoara, no Ceará, e Porto de Galinhas, em Pernambuco.
Localizada a uma hora e meia de barco do município de Angra
dos Reis, Ilha Grande não foge à sina. No Carnaval
de 2001, ela recebeu 20 mil pessoas, sem ter estrutura para tanto.
Na Praia do Abraão, onde desembarca e hospeda-se a maior
parte dos turistas, há quatro valas de esgotos e um lixão
sendo tratados pela Prefeitura de Angra. Das 67 pousadas, 27 são
ilegais. Há 17 acampamentos irregulares. Alguns abrigam até
400 barracas, aterram o lixo na areia e oferecem um banheiro para
30 pessoas.
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