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Major
Elza
Voluntária
da FEB na Segunda Guerra Mundial
conta em livro suas aventuras
Celina
Côrtes
| Carlos
Magno |
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“Quando voltamos, fomos desmobilizados, porque o ditador Getúlio
Vargas, admirador de Hitler, temia que a tropa se voltasse
contra ele”
Major Elza Cansação
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"Bem que nós podíamos ter a nossa bombinha atômica.
Ninguém se mete com a Índia e a China porque eles
têm as deles. O comentário só poderia
ser de um militar. No caso, um militar de saias: a primeira voluntária
brasileira na Segunda Guerra Mundial, que ostenta 35 condecorações
e acaba de lançar seu terceiro livro, Eu estava lá,
em português, inglês e italiano, com 700 fotos coletadas
no conflito. A major carioca Elza Cansação Medeiros,
80 anos, não acredita em uma Terceira Guerra nem que sejam
usadas armas químicas na nova ordem mundial pós-11
de setembro. Todo mundo dispõe desse tipo de armamento
e seria a destruição total. Por trás do pretexto
religioso, o que acontece agora é a guerra do petróleo,
acredita.
A militar, que dá expediente diário no setor de
Relações Públicas do Ministério do Exército,
no Rio de Janeiro, não pára de surpreender. Seu rosto
jovem, de aspecto natural, já passou por quatro cirurgias
plásticas. Pendurou, eu estico, brinca. Há
três anos, teve de dar um tempo em seu hobby predileto, o
ultraleve. Estou com 80 quilos e preciso emagrecer para voar
com segurança, explica. Há cinco anos, desistiu
de usar motocicleta para distâncias curtas porque não
conseguiu renovar a carteira. Já deu duas voltas ao mundo
e é sócia dos albergues da juventude para viajar a
preços acessíveis. Seu apartamento, no Flamengo, zona
sul do Rio, mais parece um museu, com os bustos de bronze que ela
mesma esculpiu. Inclusive o seu. A única queixa é
a coluna, que até hoje se ressente de uma queda na cratera
de uma granada, em 1944, quando participava da campanha da Força
Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. O acidente
lhe rendeu a promoção a major, dois postos acima.
Quando foi à guerra, em 1943, aos 22 anos, indignada com
os torpedeamentos de alemães sofridos pelo Brasil, entrou
como enfermeira de terceira classe. Foi promovida à primeira
classe, correspondente a capitão. Mas, quando desembarcou
no Brasil, o tempo que passou nos hospitais de campanha, cerca de
um ano, de nada valeu. Fomos desmobilizados, porque o ditador
Getúlio Vargas, admirador de Adolf Hitler, temia que a tropa
se voltasse contra ele, lembra. Elza, que antes de entrar
para o Exército tinha uma vida confortável, com motorista
particular desde os 12 anos, partiu então para um concurso
no Banco do Brasil, aos 24 anos, onde ficou até 1957, quando
voltou ao Exército.
Na época do golpe de 1964, retornou ao banco até
ser requisitada para trabalhar como secretária do ex-presidente
João Baptista Figueiredo, de quem era aparentada. Ele
ficava furioso quando o chamava de Joãozinho, diverte-se
a major, sem vergonha de se identificar com a linha dura. Sou
anticomunista até a alma. Como diz ter sido criada
com muito senso de liberdade pelo pai médico, Elza jamais
se casou ou namorou por muito tempo. Em compensação,
cada vez que resolve viajar é só fazer as malas e
bater a porta. Não tenho gênio para receber cabresto,
vangloria-se. 
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