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Epidemia anunciada
Dengue volta a atacar e aumenta o risco
de ocorrência de casos mais graves da doença
Como
se proteger da dengue
Celina
Côrtes
Parece novela de mau gosto que não acaba nunca. Há
16 anos, basta o verão chegar para o Brasil passar a conviver
com devastadoras epidemias de dengue, doença transmitida
pelo mosquito Aedes aegypti. Só em 2001, foram registrados
mais de 390 mil casos no País. Neste ano, a doença
voltou a atacar. Desta vez, porém, a epidemia traz um agravante
assustador: o risco de aumentarem os casos da dengue hemorrágica,
a versão mais grave e algumas vezes fatal da
enfermidade.
Essa forma de dengue pode ser provocada por qualquer um dos quatro
tipos de vírus causadores da doença e transmitidos
pelo Aedes aegypti. Sua ocorrência depende do grau de agressividade
do vírus e da capacidade do organismo de se defender. Mas
agora o Brasil se depara com a ameaça do aumento de casos
mais graves por causa do histórico da doença no País.
Desde 1986, quando começaram as epidemias, a população
vem sendo exposta à infecção pelos vírus
do tipo 1 e 2. No entanto, em 2000 foi achado, no Rio de Janeiro,
o vírus do tipo 3. Ou seja, surgiu mais um agente para ameaçar
inclusive aqueles que tiveram a dengue causada pelos vírus
do tipo 1 e 2. E é essa diversidade de microorganismos que
eleva as chances de ocorrência de dengue hemorrágica.
Se a pessoa que já teve dengue for picada de novo,
mas desta vez por um mosquito portador de um tipo de vírus
diferente do responsável pela primeira infecção,
tem maior chance de manifestar a forma mais grave da doença,
explica Luiz Jacintho da Silva, chefe da Superintendência
do Controle de Endemias de São Paulo.
E a tendência é que o vírus do tipo 3 se espalhe.
Hoje, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde,
Rio e Roraima são os únicos Estados onde sua presença
já foi comprovada. Mas o vaivém de turistas pode promover
a chegada desse agente a outras localidades. Se alguém
contaminado pelo tipo 3 for picado por outro mosquito Aedes aegypti,
o inseto pode adquirir o vírus e retransmiti-lo, explica
o infectologista José Geraldo Ribeiro, de Minas Gerais.
A dengue clássica provoca forte dor de cabeça, dores
no corpo, febre alta e vômitos. Nesse caso, tratam-se os sintomas.
A hemorrágica pode apresentar sangramentos na gengiva, na
pele, nariz e intestino. Quando ataca, exige internação
para monitoração da pressão arterial, frequência
cardíaca e rins. É preciso fazer uma hidratação
por via venosa, explica Maurício Forneiro, chefe de
Emergência do Hospital Copa DOr, do Rio. Sem tratamento
adequado, os dois tipos podem levar à morte. No Rio, só
em janeiro a dengue hemorrágica vitimou 91 pessoas e causou
duas mortes. Uma das vítimas foi o secretário municipal
de Governo, João Pedro Figueira, 35 anos. Fiquei nocauteado,
conta.
Essa nova onda de dengue é uma epidemia anunciada. Há
descuido nas ações de prevenção, como
o combate à disseminação do mosquito,
critica o infectologista Marcos Boulos, de São Paulo. Agora,
no Rio haverá uma operação de emergência.
Em fevereiro, o Estado receberá mil agentes de saúde
e até o Exército participará cedendo alojamento
e infra-estrutura. Na Bahia, será intensificada a eliminação
de focos do Aedes aegypti nas cidades onde ocorrem as maiores festas
de Carnaval. É a corrida atrás do prejuízo.

Colaborou Mônica Tarantino
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