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O custo do medo
Indústria da proteção prospera como
nunca em meio à insegurança
João Paulo Nucci e Luiz Antonio Cintra
| Epitácio
Pessoa/AE |
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A frota de carros-fortes foi toda renovada para suportar até
tiros do fuzil AR-15 |
A onda de violência está levando empresas de médio
e grande porte a dar maior atenção à segurança
de seus funcionários. Antes um assunto restrito a chefes
de nível médio, o profissional responsável
por zelar pelo bem-estar do pessoal ocupa agora o posto de diretor.
Contratado há cerca de dois meses pela subsidiária
de uma grande multinacional, baseada em São Paulo, um ex-militar
e especialista em segurança prefere manter-se incógnito.
Tem o currículo do novo tipo de profissional que cada vez
mais atua na área. Fala várias línguas, já
morou no Exterior e tem experiência em empresas especializadas
em segurança e investigações.
Sua função é cuidar de todos os assuntos
relativos à segurança de diretores e profissionais
de gerência. A maioria das empresas zela por seus profissionais
apenas durante o expediente. Agora as coisas estão mudando,
diz o especialista.
Segurança custa caro e, trocadilho à parte, é
um negócio de risco. Nenhum equipamento e nenhum tipo de
esquema garantem 100% de proteção. Além
do custo direto investido em aparatos, as empresas perdem dinheiro
com a queda na produtividade dos funcionários envolvidos
em casos de violência, diz James Wygand, diretor no
Brasil da Control Risks, uma das principais empresas de segurança
do mundo. O medo está levando empresas brasileiras a táticas
incomuns, segundo ele, como a restrição da vinda de
executivos do Exterior para cá ou mesmo a transferência
do corpo de profissionais de elite para locais mais tranquilos.
A frota de carros fortes passou por um processo de reforço
na blindagem, nos últimos quatro anos. Hoje, todos eles aguentam
até balas disparadas por um fuzil AR-15. Seminários
sobre segurança pessoal já são comuns nas grandes
empresas, assim como os carros blindados. Tudo isso, obviamente,
leva a gastos adicionais. Só para comprar uma frota de oito
blindados, uma empresa desembolsa, em média, R$ 1 milhão.
Não existem estatísticas confiáves de quanto
o País gasta com segurança. Mas, a julgar pelo vigor
dos negócios ligados à área, não é
pouca coisa. Uma feira do setor, a Exposec, já é a
quinta maior do mundo. Movimentou no ano passado, de acordo com
seus organizadores, US$ 320 milhões. Nesse ranking sombrio,
o Brasil já tem a segunda frota de carros blindados e de
helicópteros civis do mundo. O mercado de blindagem é
disputado por 50 empresas, todas surgidas nos últimos cinco
anos.
Só o setor de vigilância movimentou, no ano passado,
R$ 7,8 bilhões, segundo o Sindicato das Empresas de Segurança
Privada de São Paulo o dado exclui as companhias clandestinas.
Até 1996, quem podia pagar contratava dentro da lei.
A partir daí, a informalidade tomou conta do mercado,
diz José Jacobson Neto, presidente da entidade. Para
cada companhia regular, existem de três a cinco informais,
estima o empresário, que calcula em 1,3 mil as empresas oficiais.
Elas empregam 500 mil homens. Estima-se que, pelo menos, outros
800 mil vigilantes sem registro estejam na ativa no Brasil. Esse
exército ocupa um espaço criado pela ausência
do Estado e pelo aumento da miséria. E tem perdido a guerra.

| O
seguro anti-sequestro |
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Quem tem não fala. Quem vende se esconde. A atividade
é quase virtual, de tão sigilosa, mas o fato
é que um número incerto de brasileiros endinheirados
possui uma apólice de seguro anti-sequestro. A legislação
nacional impede a existência de um produto desse tipo
no País. O negócio é sempre feito
via paraísos fiscais, diz o especialista em seguros
Antônio Penteado Mendonça, que afirma desconhecer
quais empresas atuam no Brasil. Os principais clientes, segundo
Mendonça, são grandes companhias multinacionais
instaladas no país, que fazem pacotes de seguros para
seus principais executivos. Assim que um cliente é
capturado, uma equipe da seguradora assume as negociações.
Recentemente, um caso já encerrado em São Paulo
foi resolvido por equipes que vieram do Exterior. O serviço
inclui, é claro, o pagamento do resgate, mas não
se limita a isso. Em alguns casos, a seguradora dá
uma de polícia e corre atrás dos bandidos por
conta própria.
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