EDIÇÃO Nº 1687
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 BRASIL
30/01/2002
CAPA continua...

Barbárie - continuação

Adriana Souza e Silva, Ana Carvalho, Eduardo Hollanda, Florência Costa, Hélio Contreiras, Ines Garçoni, Juliana Vilas, Madi Rodrigues, Mario Chimanovitch, Mario Simas Filho e Vasconcelo Quadros

Unidade é a lição do Rio

Francisco Alves Filho

AP
MUDANÇA A Polícia carioca nos tempos em que a solução era subir o morro

O Rio de Janeiro está longe de ser um paraíso de paz e segurança, mas os números oficiais mostram que os índices de criminalidade estão estáveis – exceto nos casos de assaltos a pedestres, que cresceram. A área de atuação de maior sucesso é a repressão aos sequestros, em que o Estado é visto pelas polícias de todo o País como um exemplo a ser seguido. A estrutura vitoriosa da Divisão Anti-Sequestro (DAS) da polícia do Rio começou a ser montada em 1995 pelo então delegado Hélio Luz, hoje deputado estadual pelo PT. “O primeiro passo foi superar as divisões internas da polícia”, conta Luz, que foi chefe da Polícia Civil de 1995 a 1997, no governo Marcello Alencar (PSDB). O número de sequestros caiu de 122, em 1995, para 65 no ano seguinte. Em 2001, foram registrados apenas oito. O deputado não acredita que a repressão aos sequestradores tenha transferido bandidos para outras atividades criminosas. Pelo contrário. “Os sequestradores também traficavam, roubavam, matavam. Por isso, quando desbaratamos as quadrilhas, diminuímos também a incidência de outros crimes”, afirma. O número de homicídios, que em 1995 era de 8.438, caiu para 5.741 em 1998.

Para o delegado Marcos Reimão, chefe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil e ex-diretor da DAS, “o ponto importante foi dar à delegacia condições técnicas e tecnológicas para agir. Tínhamos um excelente banco de dados”. Em sua gestão (1998-1999) foram presos quase 200 sequestradores, sem registro de vítima fatal ou pagamento de resgate. Ele criou uma estratégia que cruzava informações da PM, dos Bombeiros, da Guarda Municipal e até dos presídios, sistema que ainda funciona com sucesso. Na terça-feira 22, o governador Anthony Garotinho entregou a Luiza Erundina (PSB), candidata ao governo paulista, um calhamaço de 245 páginas com sugestões para o combate à criminalidade.

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