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Barbárie - continuação
Adriana Souza e Silva,
Ana Carvalho, Eduardo
Hollanda, Florência Costa,
Hélio Contreiras, Ines
Garçoni, Juliana Vilas, Madi
Rodrigues, Mario Chimanovitch,
Mario Simas Filho
e Vasconcelo Quadros
| Lindauro
Gomes |
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FHC pede união ao PT para combater o crime, depois de ignorar
as ameaças denunciadas pelo partido e por ISTOÉ |
Carta na manga Além do papel de sombra desempenhado
por Sérgio em Santo André, a polícia trabalha
para checar um depoimento colhido reservadamente na noite em que
foi achado o corpo do prefeito, que pode fazer as investigações
se voltarem para dentro da prefeitura. Por volta das 3h do domingo
20, um evangélico voltava de um culto realizado em Curitiba
(PR) quando percebeu dois carros parados no início da estrada
das Cachoeiras. Pensando se tratar de motoristas precisando de auxílio,
ele teria parado o carro e oferecido ajuda. Eram quatro homens
em dois Gols brancos. Eles estavam muito nervosos e recusaram a
ajuda. Pude perceber que um deles, atrás de um dos carros,
estava pondo uma calça clara e também vi que os dois
Gols tinham o emblema da Prefeitura de Santo André nas portas,
disse. Não é comum que alguém pare um carro
de madrugada na estrada para oferecer ajuda não solicitada.
Por causa disso, alguns policiais estão empenhados em investigar
essa história com cautela. Já confirmaram a presença
da testemunha no culto em Curitiba e estão procurando a pessoa
que estava com ela no retorno para São Paulo.
Na manhã de domingo 20, quando o telefone de FHC tocou,
a notícia que Luiz Inácio Lula da Silva tinha para
dar era a pior possível: o cadáver crivado de balas
encontrado em Juquitiba era mesmo do prefeito Celso Daniel. A conversa
foi curta e grave. E há motivos para isso. Não é
de hoje que os prefeitos petistas vêm sendo ameaçados
e as ameaças se concretizam. Em dezembro, ISTOÉ divulgou
isso e mostrou que Celso Daniel era um dos marcados para morrer.
O governo também sabia disso e nada foi feito. FHC, na véspera,
ao ser comunicado do sequestro do petista, tinha telefonado para
Lula quebrando um período de quatro anos em que os dois não
se falavam. Que coisa terrível, disse o presidente,
propondo a Lula que os dois se encontrassem no Palácio do
Planalto. A reunião durou uma hora e meia. Lula e José
Dirceu, presidente nacional do PT, cobraram do governo empenho na
apuração dos assassinatos de Celso Daniel e do prefeito
de Campinas, Antônio da Costa Santos, e insistiram que o governo
federal, através da Polícia Federal e até das
Forças Armadas, tinha que intervir diretamente na questão
da segurança. É preciso que se tenha coragem
para mexer na estrutura da polícia e para banir os policiais
corruptos, afirmou Lula, depois da reunião. FHC considerou
o encontro produtivo e destacou que a violência deve ser tratada
como uma questão suprapartidária. Lula informou que
até o fim de fevereiro estará pronta a proposta de
segurança pública do PT para ser apresentada aos governantes,
independentemente de partidos. O PT é alvo dos que
não admitem a ascensão da esquerda e, ainda, de grupos
do crime organizado que rejeitam o modelo policial defendido por
líderes como Celso Daniel. A afirmação
é do brigadeiro Álvaro Dutra, ex-subchefe do Estado
Maior das Forças Armadas. O sociólogo Luiz Eduardo
Soares, atual assessor de segurança do governo Olívio
Dutra (PT), e a professora Julieta Lengruber, da Universidade Cândido
Mendes, concordam. O brutal assassinato de Daniel deve servir
para a criação no Brasil de uma operação
Mãos Limpas permanente, defendeu o ministro do STM,
Sérgio Xavier Ferolla. O ministro militar advertiu que o
Brasil precisa de uma polícia decente. Esse violento assassinato
tem que ser investigado com responsabilidade e transparência.
A sociedade exige uma satisfação e não aceita
que a reação seja apenas de novas palavras e planos
que nunca têm uma consequência efetiva, finalizou.

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