EDIÇÃO Nº 1687
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 BRASIL
30/01/2002
CAPA continua...

Barbárie - continuação

Adriana Souza e Silva, Ana Carvalho, Eduardo Hollanda, Florência Costa, Hélio Contreiras, Ines Garçoni, Juliana Vilas, Madi Rodrigues, Mario Chimanovitch, Mario Simas Filho e Vasconcelo Quadros

Robson Fernandjes/AE/Monalia Lins/AE
Sérgio deu elementos para o retrato falado, mas sua versão para a abertura das portas da Pajero foi desmontada pela perícia

Mistério – Sérgio é a principal testemunha do crime que vitimou o prefeito. Com base em seus dois depoimentos, foi elaborado o retrato falado de um dos criminosos e feita a reconstituição do sequestro. Desde a quarta-feira 23, ele está sendo protegido pela polícia. Uma determinação sensata, tanto para evitar uma possível queima de arquivo como para mantê-lo sob vigilância permanente. Isso porque, além de seus nebulosos envolvimentos com os cartéis do lixo e dos transportes contrariados pelas gestões municipais petistas, Sérgio deixou várias perguntas sem respostas. Ele não soube dizer ao certo quantos bandidos levaram o prefeito e não explicou como foram abertas as portas da Pajero blindada. Num primeiro momento afirmou que o carro quebrou. O câmbio teria travado e teria havido uma pane elétrica responsável pelo destravamento das portas. A perícia, no entanto, constatou que o carro está em perfeitas condições. Sérgio também não explicou por que só fez uso do celular para chamar a polícia depois de o prefeito ter sido levado e também por que não usou sua arma. Durante anos foi segurança e é um homem treinado para enfrentar situações adversas e violentas. A um delegado disse que sacou a arma, mas os bandidos usaram o prefeito como escudo para evitar o disparo. Uma versão questionável, pois certamente os bandidos não hesitariam em disparar contra Sérgio.

Jaime Carvalho
O prédio da Sodiesel, empresa de Sérgio que está mudando de ramo para fazer transporte interestadual. Em Santo André, a máfia dos transportes também está sob suspeita

O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, afirmou que o partido fez suas averiguações e não encontrou nada que comprometesse Sérgio. O partido, no entanto, não descarta nenhuma hipótese. “Queremos respostas concretas. Não estamos atrás de respostas fáceis”, diz o deputado José Genoíno (PT-SP), pré-candidato ao governo paulista. Recentemente, Sérgio começou a operar a Sodiesel, empresa que vendia peças para ônibus e está se preparando para atuar em linhas interestaduais. Na quinta-feira 24, o empresário foi citado em um depoimento prestado em Monte Sião (MG). O vendedor Fabio Bernardes procurou a polícia para dizer que na época do Natal ouviu em uma favela de Santo André quatro pessoas combinando o crime. Em sua versão, porém, o vendedor diz que o alvo não seria o prefeito, mas sim o empresário Sérgio. Tratavam, segundo a testemunha, de um crime para queima de arquivo. “Não sou arquivo nenhum e não caí em contradição. Posso sim ter cometido alguns erros em meu depoimento, mas sou apenas uma testemunha”, reagiu Sérgio.

Leia mais nas próximas páginas:

Não é de hoje que os prefeitos petistas vêm sendo ameaçados e as ameaças se concretizam.
Uma estrela fugaz
A vida como ela é
O espelho colombiano
Unidade é a lição do Rio
Marcas na alma

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Por Maurício Bernis
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O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, está longe de ser esclarecido. As suspeitas envolvem, inclusive, a principal testemunha, o empresário Sérgio Gomes da Silva. Você acha que foi crime político ou crime comum?

 
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