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Barbárie - continuação
Adriana Souza e Silva,
Ana Carvalho, Eduardo
Hollanda, Florência Costa,
Hélio Contreiras, Ines
Garçoni, Juliana Vilas, Madi
Rodrigues, Mario Chimanovitch,
Mario Simas Filho
e Vasconcelo Quadros
| Alan
Rodrigues/Itamar Miranda/AE |
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Por causa da atuação dessas máfias é
que há três meses a direção do PT pediu
a Celso Daniel que se afastasse politicamente do empresário
Sérgio Gomes da Silva. Lula recebeu informações
da Polícia Federal de que Sérgio tinha uma conta no
Exterior, na qual era depositado o dinheiro de falcatruas municipais
referente ao cartel do lixo. Conhecido como Sombra na
Prefeitura de Santo André, Sérgio era um velho amigo
de Daniel. Foi segurança e assessor do prefeito e virou um
rico empresário do setor de transportes. Há dois anos
ele é investigado pelo Ministério Público por
ação considerada nebulosa em concorrências públicas
envolvendo empresas de transportes e de limpeza urbana. O PT temia
que as possíveis ligações de Sérgio
com os cartéis respingassem em Daniel, coordenador do plano
de governo de Lula, candidato do PT à sucessão de
FHC. Ele cumpriu a determinação partidária,
mas manteve a amizade. Na noite da sexta-feira 18, os dois jantaram
num sofisticado restaurante nos Jardins, em São Paulo, e
quando voltavam para Santo André o trágico destino
do prefeito já estava traçado. Sérgio, que
dirigia sua Pajero blindada e levava uma pistola 9 milímetros
em uma pasta colocada no banco traseiro, percebeu que estava sendo
seguido por uma Blazer e um Santana e comentou o fato com Daniel,
que estava no banco do carona. Começou a acelerar e foi perseguido.
A fuga durou cerca de cinco minutos e, na rua Antônio Bezerra,
sua Pajero foi interceptada. Vários disparos foram dados,
mas a blindagem impediu que os tiros atingissem o prefeito. Depois
do ataque, Daniel foi levado pelos bandidos.
| Ricardo
Giraldez/Armando Favaro/AE |
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O empresário Sérgio é a principal testemunha... |
Não houve nenhum pedido de resgate e, na manhã do
domingo 20, o corpo do prefeito foi encontrado na estrada das Cachoeiras,
uma vicinal com chão de terra na altura do quilômetro
328 da rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba, a cerca de
80 quilômetros de São Paulo. Daniel vestia uma calça
diferente da que usava quando foi sequestrado e os peritos constataram
que ele levou dois tiros nas costas, três no rosto, um no
peito e um no braço direito. O prefeito foi morto no local
em que foi encontrado, entre as 21 horas do sábado e as 3
horas do domingo. Cinco testemunhas disseram ter ouvido os disparos
por volta da 1h30. Não temos ainda como descartar nenhuma
hipótese. Podemos estar diante de um crime político,
de uma vingança ou de um crime comum, afirma o secretário
de Segurança de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho.
Indícios para crime político são fartos (leia
reportagem à pág. 32). A Polícia Civil, no
entanto, tem apostado em um crime de motivação política,
mas não ideológica. Nesse caso, admitem que as gestões
petistas têm contrariado o interesse de cartéis que
atuam no serviço público. A PF também aposta
nisso.
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