EDIÇÃO Nº 1687
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 BRASIL
30/01/2002
CAPA continua...

Barbárie - continuação

Adriana Souza e Silva, Ana Carvalho, Eduardo Hollanda, Florência Costa, Hélio Contreiras, Ines Garçoni, Juliana Vilas, Madi Rodrigues, Mario Chimanovitch, Mario Simas Filho e Vasconcelo Quadros

Alan Rodrigues/Itamar Miranda/AE

Por causa da atuação dessas máfias é que há três meses a direção do PT pediu a Celso Daniel que se afastasse politicamente do empresário Sérgio Gomes da Silva. Lula recebeu informações da Polícia Federal de que Sérgio tinha uma conta no Exterior, na qual era depositado o dinheiro de falcatruas municipais referente ao cartel do lixo. Conhecido como “Sombra” na Prefeitura de Santo André, Sérgio era um velho amigo de Daniel. Foi segurança e assessor do prefeito e virou um rico empresário do setor de transportes. Há dois anos ele é investigado pelo Ministério Público por ação considerada nebulosa em concorrências públicas envolvendo empresas de transportes e de limpeza urbana. O PT temia que as possíveis ligações de Sérgio com os cartéis respingassem em Daniel, coordenador do plano de governo de Lula, candidato do PT à sucessão de FHC. Ele cumpriu a determinação partidária, mas manteve a amizade. Na noite da sexta-feira 18, os dois jantaram num sofisticado restaurante nos Jardins, em São Paulo, e quando voltavam para Santo André o trágico destino do prefeito já estava traçado. Sérgio, que dirigia sua Pajero blindada e levava uma pistola 9 milímetros em uma pasta colocada no banco traseiro, percebeu que estava sendo seguido por uma Blazer e um Santana e comentou o fato com Daniel, que estava no banco do carona. Começou a acelerar e foi perseguido. A fuga durou cerca de cinco minutos e, na rua Antônio Bezerra, sua Pajero foi interceptada. Vários disparos foram dados, mas a blindagem impediu que os tiros atingissem o prefeito. Depois do ataque, Daniel foi levado pelos bandidos.

Ricardo Giraldez/Armando Favaro/AE
O empresário Sérgio é a principal testemunha...

Não houve nenhum pedido de resgate e, na manhã do domingo 20, o corpo do prefeito foi encontrado na estrada das Cachoeiras, uma vicinal com chão de terra na altura do quilômetro 328 da rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba, a cerca de 80 quilômetros de São Paulo. Daniel vestia uma calça diferente da que usava quando foi sequestrado e os peritos constataram que ele levou dois tiros nas costas, três no rosto, um no peito e um no braço direito. O prefeito foi morto no local em que foi encontrado, entre as 21 horas do sábado e as 3 horas do domingo. Cinco testemunhas disseram ter ouvido os disparos por volta da 1h30. “Não temos ainda como descartar nenhuma hipótese. Podemos estar diante de um crime político, de uma vingança ou de um crime comum”, afirma o secretário de Segurança de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho. Indícios para crime político são fartos (leia reportagem à pág. 32). A Polícia Civil, no entanto, tem apostado em um crime de motivação política, mas não ideológica. Nesse caso, admitem que as gestões petistas têm contrariado o interesse de cartéis que atuam no serviço público. A PF também aposta nisso.

Leia mais nas próximas páginas:

Sérgio deixou várias perguntas sem respostas
Não é de hoje que os prefeitos petistas vêm sendo ameaçados e as ameaças se concretizam.
Uma estrela fugaz
A vida como ela é
O espelho colombiano
Unidade é a lição do Rio
Marcas na alma

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FÓRUM

O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, está longe de ser esclarecido. As suspeitas envolvem, inclusive, a principal testemunha, o empresário Sérgio Gomes da Silva. Você acha que foi crime político ou crime comum?

 
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