EDIÇÃO Nº 1687
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 BRASIL
30/01/2002
CAPA continua...

Barbárie
Execução do prefeito de Santo André mostra a força
das máfias incrustadas nas administrações públicas,
expõe o drama de uma população que vive aterrorizada
em um país recordista em assassinatos e aumenta a
indignação com a incompetência na segurança pública

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Crime hediondo
Insegurança geral
Seqüestros no Brasil e violência em São Paulo

Adriana Souza e Silva, Ana Carvalho, Eduardo Hollanda, Florência Costa, Hélio Contreiras, Ines Garçoni, Juliana Vilas, Madi Rodrigues, Mario Chimanovitch, Mario Simas Filho e Vasconcelo Quadros

Eptácio Pessoa/AE
A brutalidade do crime que matou Celso Daniel comoveu o País, que mais uma vez saiu às ruas em busca de paz

No Brasil dos últimos anos, paz se transformou em palavra de ordem obrigatória nas manifestações populares. Ninguém suporta mais, e os números da violência denunciam que o Estado oficial está perdendo a guerra para um estado paralelo cada vez mais ousado e desafiador, com máfias incrustadas nas administrações públicas e um crime organizado que cresce com a conivência policial e a certeza da impunidade. Nos últimos 19 meses o governo anunciou três planos para combater a violência. Dois deles nem sequer saíram do papel e os brasileiros vivem sob o pânico. Como numa guerra, 109 pessoas são assassinadas diariamente. O terceiro plano foi divulgado na última semana, após o sequestro e assassinato de Celso Daniel, prefeito petista de Santo André, na Grande São Paulo.

Até a quinta-feira 24, as polícias paulista e federal não tinham concluído nem como nem por que o prefeito, que vinha sofrendo ameaças, fora morto, mas tanto o presidente Fernando Henrique Cardoso como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) prometeram substanciais investimentos na segurança pública e no sistema prisional. Um discurso que não se traduz na prática. O Orçamento da União prevê para este ano um gasto de R$ 1,2 bilhão para toda a área de segurança. No ano passado, a previsão era de R$ 1,3 bilhão. Ou seja, enquanto a criminalidade cresceu, os investimentos federais na segurança diminuíram. Os tucanos, dessa vez com o coro do PT, voltaram a entoar as antigas ladainhas sobre endurecimento de penas que há anos habitam os escaninhos do Congresso, um ponto de encontro de lobistas, muitos deles ligados às máfias que fatiam pedaços das administrações públicas em busca de privilégios.

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volta

 


Por Maurício Bernis
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O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, está longe de ser esclarecido. As suspeitas envolvem, inclusive, a principal testemunha, o empresário Sérgio Gomes da Silva. Você acha que foi crime político ou crime comum?

 
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