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Barbárie
Execução do prefeito de Santo André mostra a força
das máfias incrustadas nas administrações públicas,
expõe o drama de uma população que vive aterrorizada
em um país recordista em assassinatos e aumenta a
indignação com a incompetência na segurança pública
Crime
hediondo
Insegurança
geral
Seqüestros
no Brasil e violência em São Paulo
Adriana Souza e Silva,
Ana Carvalho, Eduardo
Hollanda, Florência Costa,
Hélio Contreiras, Ines
Garçoni, Juliana Vilas, Madi
Rodrigues, Mario Chimanovitch,
Mario Simas Filho
e Vasconcelo Quadros
| Eptácio
Pessoa/AE |
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A brutalidade do crime que matou Celso Daniel comoveu o País,
que mais uma vez saiu às ruas em busca de paz |
No Brasil dos últimos anos, paz se transformou em palavra
de ordem obrigatória nas manifestações populares.
Ninguém suporta mais, e os números da violência
denunciam que o Estado oficial está perdendo a guerra para
um estado paralelo cada vez mais ousado e desafiador, com máfias
incrustadas nas administrações públicas e um
crime organizado que cresce com a conivência policial e a
certeza da impunidade. Nos últimos 19 meses o governo anunciou
três planos para combater a violência. Dois deles nem
sequer saíram do papel e os brasileiros vivem sob o pânico.
Como numa guerra, 109 pessoas são assassinadas diariamente.
O terceiro plano foi divulgado na última semana, após
o sequestro e assassinato de Celso Daniel, prefeito petista de Santo
André, na Grande São Paulo.
Até a quinta-feira 24, as polícias paulista e federal
não tinham concluído nem como nem por que o prefeito,
que vinha sofrendo ameaças, fora morto, mas tanto o presidente
Fernando Henrique Cardoso como o governador Geraldo Alckmin (PSDB)
prometeram substanciais investimentos na segurança pública
e no sistema prisional. Um discurso que não se traduz na
prática. O Orçamento da União prevê para
este ano um gasto de R$ 1,2 bilhão para toda a área
de segurança. No ano passado, a previsão era de R$
1,3 bilhão. Ou seja, enquanto a criminalidade cresceu, os
investimentos federais na segurança diminuíram. Os
tucanos, dessa vez com o coro do PT, voltaram a entoar as antigas
ladainhas sobre endurecimento de penas que há anos habitam
os escaninhos do Congresso, um ponto de encontro de lobistas, muitos
deles ligados às máfias que fatiam pedaços
das administrações públicas em busca de privilégios.
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