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 BRASIL
30/01/2002
Especial continua...

Caça ao PT
Os petistas avisaram o governo federal
em dezembro: eram alvo do crime organizado

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• Cartas e ameaças

Florência Costa e Ines Garçoni

Ricardo Giraldez
ALVO 1 Elói Pietá, prefeito de Guarulhos, armou a Guarda Municipal da cidade

Não deu tempo para enxugar as lágrimas. Em menos de cinco meses o PT perdeu dois prefeitos de grandes cidades e estrelas ascendentes: Toninho, de Campinas, e Celso Daniel, de Santo André. Entre um crime e outro, uma sucessão de ameaças de morte e atentados, especialmente em São Paulo, onde o PT governa 37 cidades, instalou-se o pavor dentro do partido. “É desesperador. Não sabemos quem está querendo nos matar”, desabafou o prefeito de Embu (SP), Geraldo Cruz, que em novembro sofreu um atentado à bomba e passou a andar com um PM 24 horas. “Ainda não tenho colete à prova de bala.” Mas há quem já tenha providenciado isso, como Antonio Palocci, prefeito de Ribeirão Preto, alvo em potencial. Palocci reforçou a segurança, mas prefere não falar nisso. “Tenho certeza que está em curso uma operação contra o PT. Mas não somos só nós os ameaçados, e, sim, toda a sociedade.” Também está na mira Elói Pietá, prefeito de Guarulhos, que integrou a CPI do Narcotráfico na Assembléia paulista. “Das quatro maiores cidades administradas pelo PT no Estado (São Paulo, Guarulhos, Santo André e Campinas), dois prefeitos já morreram”, disse Pietá, que armou a Guarda Municipal.

“Moro em casa e pretendo mudar para um apartamento”, contou o prefeito de Bebedouro (SP), David Peres. Ele foi um dos vários que receberam, em novembro, cartas da suposta Frente de Ação Revolucionária Brasileira (Farb), que assumiu o assassinato de Toninho na primeira correspondência. O grupo tenta passar a idéia de que seria de extrema esquerda, o que não é levado a sério pelos serviços de inteligência. No PT, a convicção é de que o crime organizado está por trás das ameaças. Em vários casos, após o envio das cartas, aconteceram atentados. Celso Daniel havia recebido duas cartas. Na noite de sábado 19, o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, recebeu um e-mail: “Não despreze a Farb. Eu estou com o prefeito de Santo André e não vou matar ele. Nós avisamos a ele. Ele não acreditou. Vamos deixar ele vivo para mostrar nossa força. Mas da próxima vez não terá oportunidade.” No dia seguinte, o corpo de Celso Daniel foi encontrado. Na terça-feira 22, o deputado e pré-candidato ao governo de São Paulo José Genoíno recebeu três e-mails da Farb. Depois do crime, chovem ameaças e o terror aumenta no PT.

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O assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, está longe de ser esclarecido. As suspeitas envolvem, inclusive, a principal testemunha, o empresário Sérgio Gomes da Silva. Você acha que foi crime político ou crime comum?

 
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