| ARTES
& ESPETÁCULOS |
30/01/2002 |
Primeiros
passos
Versões
condensadas de títulos clássicos
são lançadas com olho no público jovem
Luiz
Chagas
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Cia
das Letras/Divulgação
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Germinal, de Zola (à esq.): núcleo da história
preservado
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Quando se fala em Émile Zola, Alexandre Dumas e Honoré
de Balzac para citar alguns dos escritores clássicos
, é como se houvesse uma linha divisória entre
leitores adultos, adeptos da literatura dita séria, e jovens,
que a princípio não se interessariam pelos livros
de três dos mais importantes representantes das letras francesas.
Mas a barreira pode ser derrubada. Pelo menos é esta a intenção
da coleção Germinal, da Cia. das Letras
divisão infanto-juvenil da Companhia das Letras , que
pretende despertar o interesse não só dos mais jovens
como atrair um público normalmente avesso a livros de linguagem
rebuscada, enredos pesados e incontáveis páginas.
O projeto pode parecer temerário, porque, com justa razão,
condensações nem sempre foram bem-vistas. Há,
no entanto, exceções. Em 1807, dois séculos
após o período em que foram escritas, 20 das peças
mais importantes de William Shakespeare, adaptadas para a forma
de contos pelos irmãos Charles e Mary Lamb, alcançaram
grande sucesso editorial, sendo lidas e relidas até hoje
como ponto de partida e referência para qualquer um que se
interesse pela obra do dramaturgo inglês.
Como mais uma justificativa positiva, Fernando Nuno editor
da série inaugurada justamente com Germinal (256 págs.
R$ 14,50), a obra-prima de Zola afirma que nas escolas brasileiras
não existe tempo curricular para o aluno se dedicar à
leitura. Aí entram as verdadeiras vantagens da coleção
idealizada em companhia de sua mulher, a jornalista Silvana Salerno,
que são condensar as obras mais caudalosas para que elas
possibilitem deleite e ainda funcionem como auxílio a outras
disciplinas, como história e a própria literatura.
Monteiro Lobato, por exemplo, teve idéia semelhante ao escrever
D. Quixote das crianças, baseado em Cervantes, no qual
inseriu o personagem espanhol no cotidiano do Sítio do Picapau
Amarelo.
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Reprodução/AE
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A rainha Margot, de Dumas: cotidiano contextualizado
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A Cia. das Letras não quer chegar tão longe. No
caso de Zola, o texto, as expressões características
do autor, assim como o núcleo central da história,
foram mantidos. A preocupação foi eliminar as longas
descrições, conta Silvana, responsável
pela adaptação de Germinal. Lançado
em 1885, o livro conta a história de um operário que,
após ser despedido, vai trabalhar numa mina de carvão,
onde se torna líder grevista. Por retratar sob a ótica
de Zola a fundação da Primeira Internacional
Operária em 1864, liderada por Karl Marx, em Londres, os
organizadores resolveram juntar ao livro a descrição
do momento sócio-literário e um breve resumo do que
representaram as quatro Internacionais.
| Prensa
três |
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Balzac, autor de Ilusões perdidas: no prelo
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Em relação ao segundo volume da série, A
rainha Margot (350 págs., R$ 18,50), de Alexandre Dumas
(pai), adaptado por Nuno, o texto teve de ser bastante alterado.
Originariamente, o autor descreve fatos do cotidiano sem maiores
explicações, já que escrevia para seus contemporâneos.
Agora, estes mesmos fatos foram acrescentados à narrativa
com as devidas contextualizações. Um detalhe interessante
é o esclarecimento da ascendência negra de Dumas. De
fato, sua avó era uma escrava negra, engravidada, vendida
e novamente comprada por seu avô, que, ao ver-se sem herdeiros
no final da vida, resolveu legalizar a situação. Por
enquanto, a coleção Germinal tem no prelo Ilusões
perdidas, de Honoré de Balzac. Mas em breve deverá
também contar com obras da literatura brasileira. 
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