| ARTES
& ESPETÁCULOS |
30/01/2002 |
Ponto
final
Sai
novela de Twain tida como inacabada
Luiza Pastor
| AP |
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Twain: ataque à hipocrisia
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Um assassinato, um mistério e um casamento (Objetiva,
104 págs., R$ 16,90) nasceu como uma brincadeira entre amigos
de seu autor, o americano Mark Twain (1835-1910), que pretendia
convencer outros escritores da época a darem sua própria
versão do enredo básico proposto pela obra. Conta
a história do fazendeiro da pequena cidade de Deer Lick,
que sonha em casar sua filha com um milionário, mas vê
a família envolvida no assassinato de um tio rico, aparentemente
cometido pelo pretendente pobre da jovem. A trama deveria receber
novas abordagens. Mas, infelizmente, nunca aconteceu. Abandonada
pelos editores, acabou sendo esquecida em alguma gaveta por mais
de 100 anos. Só com o desenvolvimento de um programa de recuperação
das obras de Twain, realizado durante as últimas décadas
por estudiosos americanos, é que foi recuperada e lançada
no mercado.
Ao contrário do que se poderia imaginar, contudo, não
se trata de um livro menor do prolífico Samuel Langhorne
Clemens, nome real de Mark Twain. Embora seja uma peça concisa,
ela é uma perfeita síntese dos elementos que constituem
o trabalho do escritor nascido em 1835, no retrógrado Estado
do Missouri, sul dos Estados Unidos. A intolerância, a hipocrisia
social e o sarcasmo com que tratou seus concidadãos estão
presentes, fazendo da leitura, além de um grande prazer,
um exercício de reflexão sobre a enorme capacidade
humana de protagonizar bobagens em nome das aparências e das
conveniências sociais. 
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