| ARTES
& ESPETÁCULOS |
30/01/2002 |
Ouro
para eruditos
Chega
às lojas a histórica montagem de O anel dos nibelungos, tetralogia
de Richard Wagner, regida por Pierre Boulez e encenada por Patrice
Chéreau
Ivan
Cláudio
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CHÉREAU (acima) e as cenas de O ouro do Reno, A valquíria,
Siegfried e O crepúsculo dos deuses: visão revolucionária
da saga
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Meca dos fiéis da ópera, a pequena cidade de Bayreuth,
na Alemanha, é palco todos os anos de um dos maiores festivais
do gênero, inteiramente dedicado à obra do alemão
Richard Wagner (1813-1883). Durante um mês, o Festspielhaus,
o teatro amarelo que o rei Ludwig II mandou construir especialmente
para as montagens de Wagner, atrai uma legião de aficionados
que chegam a comprar com quatro anos de antecedência os ingressos
para a montagem da tetralogia O anel dos nibelungos, carro-chefe
da programação. Para marcar os 100 anos do festival,
acontecido em 1976, a assinatura do espetáculo foi entregue
a dois nomes franceses que marcaram época: o maestro Pierre
Boulez, sempre inclinado a inovações, e o encenador
e cineasta Patrice Chéreau, diretor do filme A rainha Margot.
A montagem, que se repetiu durante quatro anos, foi concebida para
se chamar O anel do centenário. Mas logo passou a ser conhecida
como O anel do século, a maior já feita sobre a famosa
saga germânica. É justamente esta jóia da música
lírica, primeira documentação integral do ciclo,
que acaba de chegar às lojas em quatro DVDs O ouro
do Reno, A valquíria, Siegfried e O crepúsculo dos
deuses cada qual trazendo uma das óperas da tetralogia,
ou trilogia com um prólogo, como querem alguns.
| Prensa
Três |
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Com um
currículo de cinco montagens wagnerianas, o diretor de teatro
Gerald Thomas, em cartaz em São Paulo com a peça Deus
ex-machina e os super-ex-heróis na terra do impotente Viagra
Falls, comemora o lançamento. O Anel de Chéreau
é a mais genial montagem feita de qualquer ópera jamais
montada em todas as épocas, afirma ele. É
um divisor de
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águas
o espetáculo que levou o conceito de modernidade para as
encenações operísticas. Thomas foi a
Bayreuth assistir a este Anel lendário, em 1980, ano em que
gravaram o vídeo que agora ganha versão em DVD, com
a banda sonora ampliada do estéreo para o sistema dolby surround.
Uma das ousadias de Chéreau foi transferir a ação,
originalmente passada num tempo mítico, para a época
da revolução industrial, transformando deuses em barões
de fraque, adornados por barbas bem desenhadas. Não deu outra:
os fiéis da religião wagneriana acolheram a montagem
com um sonoro coro de vaias. Mas, para Thomas, a revolução
de Chéreau não reside na modernização
do enredo. O grande negócio está na direção
do ator-cantor. Antes dele, o que se via eram aqueles gordos que
se limitavam a olhar para o maestro e projetar a voz.
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