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Adriana
Pittigliani
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| Inez:
semelhanças vocais com a Pimentinha |
Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro Falar de
ídolos é uma tarefa tão difícil que
até o experiente Diogo Vilela, que assina a direção,
e os autores Douglas Dwight e Fátima Valença saíram
chamuscados do musical em comemoração aos 20 anos
da morte de Elis Regina. Com duração de três
horas e meia, o espetáculo registra alguns tropeços.
As músicas não obedecem a uma ordem cronológica,
algumas das canções mais emblemáticas interpretadas
por Elis não estão em cena e certos períodos
da vida da cantora parecem longos demais. Aquela que foi e sempre
será a maior intérprete brasileira está sendo
vivida no palco pela atriz Inez Viana. Seu vozeirão emociona
em muitos momentos, talvez por lembrar o mesmo registro vocal da
Pimentinha. A explicação para os equívocos
pode estar na opção por uma ficção dramática
e não por uma biografia musical. Mas Inez encarna bem a personagem
e a produção de época compensa. (L.M.)
Vale a pena
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Marcilio
Godoi/Divulgação
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| BETH:
ajuda de bons músicos para registrar obra de Cavaquinho |
Beth Carvalho canta Nelson Cavaquinho (Jam Music) Fã
do compositor carioca desde que gravou Folhas secas, em 1972, Beth
Carvalho sempre sonhou lançar um disco dedicado a este criador
excepcional de melodias, de quem se tornou amiga de palco e de mesa
até sua morte em 1986, aos 75 anos. O sonho se realizou com
a grande dama do samba se cercando de músicos do nível
de Wilson das Neves (bateria), de Altamiro Carrilho (flauta) e do
Grupo Época de Ouro, que desfiam preciosidades como A flor
e o espinho, Notícia, Palhaço, Rugas, além
da citada Folhas secas e da faixa título. As canções,
compostas com vários parceiros entre eles Guilherme
de Brito, um dos convidados ao lado de Zeca Pagodinho , vêm
cifradas para violão. Acompanha o disco uma revista com a
biografia da artista e do homenageado. Vendido também em
bancas de jornais, o lançamento já ultrapassou as
60 mil cópias. (L.C.)
Ouça sem parar
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De Antonio Tabucchi (Rocco, 112 págs., R$ 20) Apaixonado
pela literatura portuguesa, o italiano Antonio Tabucchi ambientou
alguns de seus livros em Lisboa, como neste belíssimo Requiem.
Passado num domingo tórrido de verão, o curto romance
que rendeu o ótimo filme homônimo de Alain Tanner
centra-se num escritor italiano que chega a Lisboa para um
encontro com o fantasma do poeta Fernando Pessoa. Como se enganou
em relação ao horário, vaga pela cidade deserta
encontrando pessoas e amigos, alguns deles já mortos. Misturando
sonho e realidade, Tabucchi faz seu alter ego mergulhar numa viagem
afetiva pela capital portuguesa, se despedindo de lugares, coisas
e espectros que marcaram sua vida. Sem esquecer, é claro,
das típicas lógica e ironia lusitanas, que dão
um sabor especial ao relato. (Ivan Claudio)
Leia sem parar
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Centro de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro A artista
plástica apresenta quatro trabalhos inéditos
três instalações e uma sala de esculturas
nesta exposição individual que vai até 31 de
março, a primeira no Brasil desde 1999. Logo na entrada,
Lygia marca posição com a instalação
Carandiru, na qual uma corrente dágua corre sobre uma
lâmina de vidro e jorra sobre um tanque, num ambiente iluminado
em vermelho. Completa a obra uma projeção de slides
que alterna gravuras dos antropófagos índios tupinambás
com fotos dos detentos do presídio paulistano, onde 111 deles
foram massacrados em 1992. Em New house, Lygia leva a desconstrução
ao pé da letra: reproduz uma casa em pleno processo de demolição,
embalado ao som de um piano. Mas o ponto alto da mostra é
a instalação Jogo de tênis, em que o espectador
se posiciona num corredor estreito, frente a frente com a projeção
de dois olhos gigantescos que seguem um jogo ilusório, sincronizado
com o áudio do vaivém da bolinha. Prestes a completar
73 anos, Lygia Pape destila humor, experimentação
e uma eterna inquietação. (F.A.F.)
Vale a pena
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