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Guerra
civil
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Renato
Velasco
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Não é exagero dizer que os brasileiros estão
aterrorizados. Já está incorporado a seu dia-a-dia
a real possibilidade de protagonizar algum evento que venha a engordar
as estatísticas sobre violência urbana. E essa violência,
como uma metástase, atinge todas as camadas da população.
Ninguém está isento. Os carros blindados, que aqui
no Brasil já alcançaram números superiores
à frota colombiana, não são mais obstáculo
para os sequestradores. Para a classe média, que não
tem acesso a esses carros de luxo transformados em armaduras móveis,
a simples ida aos cinemas das grandes cidades tornou-se operação
regada a adrenalina. E, para a maior parte da população,
a miséria é o grande combustível da violência.
Em São Paulo, a barbárie está banalizada
a ponto de locutores de rádio usarem a mesma entonação
entediada com a qual acabaram de noticiar um simples congestionamento
para informar que um dono de posto de gasolina, que havia sido sequestrado,
foi liberado pelos bandidos. Não fosse trágico, seria
ridículo. Como no caso de outro empresário que teve
a sorte de fugir do porta-malas de um Vectra e contou à polícia
que, quando jogado ali pelos sequestradores, se encontrava no mesmo
porta-malas uma senhora aparentando uns 60 anos. É o sequestro
adotando a economia de escala.
Se o preço pago pela população é alto,
aos responsáveis também será enviada fatura.
Em um site recém-lançado na internet, pedia-se, no
final da semana, a renúncia do governador Geraldo Alckmin,
responsabilizado pelo banho de sangue que atinge todos os cidadãos.
O apropriado nome do site é guerracivil.com.br.
Mas o outro gume dessa faca é o risco, neste ano de eleição,
de se embarcar nas fáceis e falsas promessas de solução
do problema que agora, mais que nunca, serão usadas por políticos
comprovadamente corruptos, incompetentes e inconfiáveis.
Hélio Campos Mello, Diretor de Redação
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