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CIÊNCIA
E TECNOLOGIA
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13/12/2001 |
Tapete mágico
Patinete
intui onde o motorista quer ir e faz tudo sozinha
A
coisa
Valeria
Propato
| AP |
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| Ginger
é testada nas ruas de Nova York. Abaixo, o inventor Kamen |
O invento é uma tentação para os preguiçosos
e uma heresia para os que defendem o saudável hábito
da caminhada. Ginger é uma patinete inteligente que anda
para a frente, dá marcha a ré, freia, percorre até
27 quilômetros por hora, enquanto seu motorista desliza placidamente
sem fazer nenhum esforço. É como se ela adivinhasse
aonde o passageiro quer ir. Por trás da mágica, trabalha
um conjunto de giroscópios, instrumentos constituídos
de uma massa metálica que gira em torno de um eixo a alta
velocidade. Eles são utilizados para apontar a posição
de aviões e navios. Na patinete, funcionam como uma balança
de efeito assombroso. Como o pião que tomba para os lados
e volta a se equilibrar em torno de seu eixo, os giroscópios
também tombam a cada imperceptível inclinação
do corpo e alteração de seu peso, indicando a velocidade
e a direção que a patinete deve tomar. Firme o calcanhar,
e a engenhoca vai para trás. Pressione o dedão, e
ela vai para a frente.
Ginger, cujo nome oficial é Transportador Humano Segway,
foi apresentada no programa Good morning America, da rede
ABC, na segunda-feira 3. Mas causa frenesi na mídia desde
janeiro. Sua criação foi cercada de mistério
pelo milionário inventor Dean Kamen. Executivos que tiveram
o privilégio de espiar o protótipo logo espalharam
que Kamen havia gerado algo tão revolucionário quanto
o PC ou a internet. Uma editora chegou a adiantar US$ 250 mil para
a publicação de um livro sobre a invenção
secreta - batizada de "a coisa". As especulações
pipocaram: seria um casulo de teletransporte, uma mochila-helicóptero,
um aerodeslizador? A patinete motorizada deixou muitos cientistas
decepcionados, mas tem tudo para dar lucro a seu criador. Com o
objetivo de reduzir o tempo de deslocamento de seus empregados,
o correio americano, a Prefeitura de Atlanta e o Serviço
Nacional de Parques dos Estados Unidos deverão testar o equipamento.
Kamen planeja erguer uma fábrica em Manchester, na Inglaterra,
para colocar cerca de 40 mil Gingers no mercado em 2002, ao preço
de US$ 3 mil.
Aos 49 anos, ele ficou rico elaborando inventos como a primeira
bomba de insulina portátil e a cadeira de rodas que sobe
escadas. Hoje, tem mais de 100 patentes registradas em seu nome.
Ginger não sobe escadas, pesa 36 quilos e foi projetada para
calçadas, onde o tráfego motorizado costuma ser proibido.
Se pegar, ela vai exigir um replanejamento do espaço urbano.
"Ginger não polui o ar e anda 24 quilômetros com
uma carga de bateria de seis horas. Aposto minha reputação
e meu dinheiro que em dez anos ela será um meio de transporte
comum nas ruas", diz Kamen. 
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