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 ENTREVISTA
06/12/2001
continua...

Vovô transviado
Em entrevista exclusiva a ISTOÉ, Mick Jagger fala de
seu quarto disco solo,
Goddess in the doorway, da
família e (pouco) do filho brasileiro

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Álbum de fotos

Osmar Freitas Jr - Nova York

Divulgação

A maturidade como ponto de referência do novo CD longe dos Stones

Aos 58 anos, Mick Jagger não enfrenta a crise da meia-idade. É ele mesmo quem afirma nesta entrevista exclusiva a ISTOÉ. Com inabalável bom humor, ele calcula que não alcançará uma idade muito alta. Mas os percalços e excessos lendários do vocalista dos Rolling Stones – a maior e mais duradoura banda de rock do planeta – não parecem ter diminuído sua energia. Depois de exaustiva turnê do álbum Bridges to Babylon, dos Stones, Jagger não foi colocar os pés de molho no conforto da vida doméstica. Aproveitou o tempo livre para gravar no seu fantástico estúdio caseiro o CD Goddess in the doorway, seu quarto vôo solo depois de Wandering spirit, lançado em 1993. E deixou de lado a segurança de seus companheiros de banda para juntar-se a uma constelação de amigos famosos – entre eles Lenny Kravitz, Pete Townshend e Bono, vocalista do grupo irlandês U2 –, num trabalho que mescla guitarras vigorosas com letras reflexivas e biográficas de alguém que há muito tempo ancorou no porto da maturidade. Tudo empacotado em ritmos capazes de colocar para dançar seus fãs, jovens e cinquentenários.

Também usou o cenário do lar, tendo a própria prole como coadjuvante no documentário Being Mick para a televisão americana. Álbum e vídeo são complementares e guardam inesperado ineditismo. Pela primeira vez exibem o Mick Jagger pai. Uma intrusão consentida em sua privacidade. “Não tenho problema em mostrar minha família, desde que eu possa controlar o que vai ser mostrado”, justifica. Assim, colocou para trabalhar as filhas Elizabeth e Georgia May – cuja mãe é a ex-mulher Jerry Hall –, criando a pedido delas uma participação especial nos backing vocals da canção Brand new set of rules. São as mesmas crianças para quem papai Jagger diz não impor nenhum conjunto de regras fixas de conduta. O cantor e compositor acha difícil falar com elas sobre sexo e drogas. Ou seja, do tripé que definiu sua geração sobra apenas o rock’n’roll a ser compartilhado. Determinações de um senhor roqueiro.

Goddess in the doorway, o álbum, reflete esta maturidade. Nada da rebeldia ainda adolescente e presente nas músicas dos Stones. A ausência da guitarra subversiva de Keith Richards permite que Jagger retire a fantasia extravagante de bad boy do rock, para vestir roupas mais discretas. Em Hide away, por exemplo, ele fala de alguém que tem sucesso, dinheiro, mulheres mas reconhece que o acúmulo não é tudo na vida. Soa autobiográfico? “Todas as canções, de certo modo, são autobiográficas, mas poderiam ser cantadas por qualquer pessoa”, afirma. Hide away, cujo ritmo está mais para world music, fala de uma história familiar. Só que ninguém como Jagger envergaria o traje completo de grande burguês. Na faixa Joy – um gospel –, ele canta com Bono sobre alguém em busca de Buda... mas no volante de um carro possante. E em God gave me everything, composta em parceria com Kravitz, apesar do agradecimento ao Todo-Poderoso, recorda a velha pauleira do início dos Stones. A prestigiada revista americana Rolling Stone considerou o álbum um clássico. Não é. Trata-se apenas de um bom CD cujo autor trocou o costumeiro salto alto por um confortável e sensato chinelo de ficar em casa.

A pequena abertura para revelação de sua intimidade, porém, obedece a limites individuais bem estabelecidos. Primeiro, sua assessoria avisou que a vida privada do astro estava fora de questão. Mas, diante das circunstâncias de um disco e documentário tão reveladores, quem poderia deixar de lado os detalhes íntimos? Nas duas vezes em que Mick Jagger foi entrevistado por ISTOÉ sua gentileza discordou da figura de mito. Desta vez foi igual. Jagger só entronizou a estrela numa última pergunta: a inevitável sobre seu polêmico filho caçula, o brasileiro Lucas, que ele teve com a modelo e apresentadora Luciana Gimenez. A resposta não só veio curta, como encerrou de vez a conversa.

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Leia mais nas próximas páginas:

"Quando você se apóia basicamente na guitarra, o resultado
é uma banda tradicional de rock'n'roll"

"Não tenho mais idade para ser incluído na faixa de meia-idade; com a vida que tive, acha que vou viver 110 anos?"



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