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Novela mexicana - continuação
Mario
Simas Filho e Ricardo
Miranda
| Ricardo
Stuckert |
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José Gregori acreditou na piada da PF |
A investigação comandada pelo delegado Francisco
de Assis Sobrinho descartou a hipótese de um serviço
interno por um motivo simplório: ninguém viu
nada, ninguém ouviu nada. Os agentes que cuidavam das celas
no período em que Gloria engravidou só foram procurados
informalmente. Mais grave ainda: as duas companheiras de cela de
Gloria, de quem ela não desgrudava, sua secretária
mexicana Maria Raquenel Portillo, e a brasileira Renata Aparecida
dos Santos, nem sequer foram ouvidas. Embora dezenas de câmeras
de vídeo acompanhem cada passo dos presos, nenhum plantonista
viu nada e, pior ainda, nada foi gravado. As conclusões foram
baseadas apenas nos depoimentos de alguns presos, entre eles Fernandinho
Beira-Mar, intimidados pela polícia que garante sua sobrevivência
na carceragem.
Rebelião suspeita Cartas de presos, como Marcelo
Borelli, interceptadas pela polícia afirmam que era impossível
haver relações sexuais dentro da carceragem da PF.
E em outras dependências? Se algum agente pegou a Gloria
fora da área onde ficam as celas da custódia não
tenho como saber. Não tenho bola de cristal, desconversa
o delegado Sobrinho. No meio da papelada, pistas importantes foram
desprezadas. Borelli diz numa carta que existem suspeitas de que
Maria Raquenel, aquela que nunca foi ouvida, tinha relações
sexuais com policiais. Em outra carta interceptada, o preso
José Carlos Carlini resume o que até as grades da
PF sabem. Moral da história: a polícia come
e o preso leva a fama.
| Jornal
de Brasília/Reuters |
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Pliego, dono da TV Azteca (acima), e Salinas, ex-presidente
do México: Gloria sabe muito |
Nas cartas obtidas por ISTOÉ, o traficante que escreve ao
amigo já transferido de Brasília revela também
como a polícia insuflou a rebelião da carceragem em
setembro. Sem sujar as próprias mãos, a polícia
teria provocado o linchamento de Borelli, que havia se indisposto
com os companheiros de cadeia quando ameaçou matar um deles.
O mistério aconteceu de esquecerem todas as celas abertas.
Na verdade, era pra dar um pau light, mas saiu do controle,
relata o preso ao colega. Aí ocorreu outro mistério:
todos os rodos e vassouras estavam no pátio. Borelli
teve o couro cabeludo arrancado, traumatismo e hematomas por todo
o corpo.
Quando o ferido voltou do hospital, segundo a carta, outro
mistério: a única cela trancada, ou melhor, as únicas,
eram as do Boreli e das meninas. Os demais presos ficaram
livres para agir. O pessoal encheu a cela dele com colchões,
jornais e tudo o que pudesse pegar fogo, mas, tal qual a surra,
fugiu do controle e pegou fogo em tudo. Quase morre todo mundo!,
diz a carta. O delegado Rômulo Menezes, ex-delegado regional
policial, teria conhecimento do atentado anunciado. Nós
já havíamos avisado o Dr. Rômulo que não
aceitaríamos ele (Borelli) novamente e, caso insistisse,
colocaríamos fogo na cadeia com o Borelli dentro! Ora, bolas,
não é que ele pagou pra ver?, conta o preso.
Poder político Com medo, Gloria Trevi, no
sexto mês de gestação, não fala quem
é o pai de seu filho, gerado nas dependências da Superintendência
da Polícia Federal em Brasília. Interrogada pela polícia,
disse o que considerava seguro. Negou que a gravidez tenha sido
consensual, desmentiu a versão de inseminação
artificial, disse que não é sequer amiga de Borelli
e resumiu o caso como uma irregularidade. A PF preferiu
considerar o que ela não disse e desconsiderar o que ela
disse. Transferida no dia 27 de setembro com seu empresário
e sua secretária para uma nova ala do Presídio da
Papuda, em Brasília, Gloria aguarda que o governo decida
sobre seu pedido para permanecer no Brasil. Com seu silêncio,
espera não ter problemas com a polícia brasileira.
Prefere isso a voltar para o México, onde, acredita ela,
terá destino pior: ser morta na cadeia. Gloria diz que sabe
demais sobre falcatruas de gente poderosa no México, como
o empresário Ricardo Salinas Pliego, dono da TV Azteca e
testa-de-ferro do ex-presidente mexicano Carlos Salinas de Gortari.
Sobre esse assunto, Glória quer falar. Mas isso a polícia
não quer ouvir. 
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