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 ENTREVISTA
21/11/2001
continua...

Sem-terra em Washington
Darci Frigo, membro da Comissão Pastoral da Terra,
recebe no Senado dos EUA prêmio de direitos humanos
da Fundação Robert Kennedy

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Adriana Souza e Silva

Ricardo Giraldez

Darci Frigo: “A terra precisa ter uma destinação social”

Demorou, mas a causa chegou ao Primeiro Mundo. No próximo dia 20, a luta pela democratização da terra no Brasil entrará na pauta do Senado americano pela porta da frente. O advogado catarinense Darci Frigo, membro da Comissão Pastoral da Terra, receberá em Washington o Prêmio Robert F. Kennedy depois de ter sido eleito – entre 30 indicações de todo o mundo – a pessoa que mais se destacou na defesa dos direitos humanos. Pela primeira vez, um brasileiro é condecorado pelo instituto da família Kennedy, uma das mais importantes organizações de direitos humanos do planeta. A conquista representa um empurrão e tanto na busca de soluções para os problemas agrários do País. Desde 1984, quando a premiação teve início, a homenagem vem garantindo repercussão internacional às causas escolhidas. Neste ano, será a vez de temas como trabalho escravo, grileiros e violência no campo fazerem parte da cerimônia. Há 15 anos o advogado se dedica à defesa dos trabalhadores sem-terra e sem direitos. Darci Frigo, 39 anos, soube da notícia por Kerry Kennedy Cuomo, filha do senador assassinado em 1968 e sobrinha do presidente John Kennedy. Por telefone, Kerry elogiou seu engajamento nas lutas populares – bandeira que o advogado carrega desde os tempos de militância na Pastoral da Terra da Igreja Católica. “Só acreditei que era ela quando minha secretária passou a ligação”, contou a ISTOÉ antes de embarcar para os Estados Unidos no domingo 11. Na viagem, também estão agendados encontros no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, além de audiências com o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Filho de pequenos agricultores de Capinzal (SC), Darci acumula uma enorme vivência na luta contra a repressão policial, mas não controla as lágrimas quando lembra de amigos que viraram vítimas. Já foi ameaçado de morte, preso e impedido de exercer sua profissão por se envolver em conflitos com a polícia nas ações de despejo. Hoje mora em Curitiba. De lá, coordena a Rede Nacional de Advogados Populares – grupo de profissionais, criado por ele, que defende aqueles que não podem pagar assessoria jurídica e de onde sairão os futuros Darcis Frigo.

ISTOÉ – No Brasil de hoje, qual o papel de advogados como o sr.?
Darci Frigo – Historicamente, tudo o que foi considerado mínimo para a sociedade é visto como grande conquista no campo. O salário mínimo na cidade é sempre o ganho máximo no meio rural. Toda vez que acontece a degradação das relações de trabalho no País, os primeiros a ser atingidos são os trabalhadores do campo. Desse modo, o trabalho do advogado é extremamente importante. Muitas vezes, nós nem visamos uma sentença final favorável, mas sim o tempo ganho para negociar com o dono da terra. Numa ação de reintegração de posse, por exemplo, esse tempo pode significar o prazo que os trabalhadores têm para se livrarem do conflito armado. O Brasil tem uma carência enorme de centenas e centenas de defensores dos direitos humanos no campo. São cerca de 100 advogados populares na rede de profissionais que estamos organizando para cuidar de quatro milhões e meio de famílias sem direito à terra. É muito pouco.

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Toda vez que acontece a degradação das relações de trabalho, os primeiros a ser atingidos são os trabalhadores do campo

 

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