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& ESPETÁCULOS |
14/11/2001 |
Céu
encoberto
Dupla
de jornalistas conta os bastidores da crise que se seguiu à renúncia
do presidente Jânio Quadros, em 1961
Leia
trecho do livro |
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nononon |
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Claudio
Camargo
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Markun e Duda: resgate de um fato memorável
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Deixando sua proverbial mineirice de lado, o deputado Tancredo
Neves resumiu o desfecho da hecatombe política desencadeada
pela renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto
de 1961: O espírito de 1932 transferiu-se de São
Paulo para o Rio Grande do Sul. O Rio Grande salvou o País
da guerra civil. Salvou as instituições. Ele
se referia ao vitorioso movimento de resistência cívica
liderado pelo então governador gaúcho, Leonel Brizola,
que impediu um golpe militar e garantiu a posse do vice-presidente
constitucional, João Goulart. Jango, como o vice era conhecido,
estava em viagem à China quando o homem da vassoura pediu
o boné. A renúncia fora de um maquiavelismo de fancaria,
pois Jânio sabia que os militares não aceitariam a
posse de Jango, a quem consideravam um perigoso esquerdista.
Sabe-se hoje que o tresloucado presidente esperava voltar ao Planalto
com poderes ditatoriais, mas o golpe foi por água abaixo
quando o Congresso aceitou a renúncia. O veto militar encontrou
uma tenaz e inesperada oposição do governador gaúcho,
que se entrincheirou no Palácio Piratini, mobilizou a Brigada
Militar (a PM local) e distribuiu armas à população.
Através do controle de uma rede de emissoras de rádio,
que ficaria conhecida como Cadeia da Legalidade, Brizola
conclamava o País a resistir contra os ministros militares:
o general Odílio Denys, o almirante Sylvio Heck e o brigadeiro
Grün Moss, que se arvoravam guardiães dos valores da
civilização ocidental e cristã.
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Jango (no alto) e Brizola (acima, de terno): poder e churrasco
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O movimento gaúcho acabou rachando as Forças Armadas
ao conseguir a adesão do general Machado Lopes, comandante
do III Exército a força mais poderosa do Brasil,
sediada em Porto Alegre , à causa da legalidade. A
vitória, contudo, foi manietada, já que o novo presidente,
empossado no dia 7 de setembro de 1961, teve seus poderes diminuídos
pela emenda constitucional que adotou o regime parlamentarista,
o atalho encontrado pelas lideranças civis para evitar
ou melhor, adiar , o confronto com as Forças Armadas.
Este episódio memorável da história brasileira
é agora resgatado no livro 1961 que as armas não
falem (Editora Senac, 410 páginas, R$ 38), dos jornalistas
Paulo Markun e Duda Hamilton. Foi um momento único
de participação popular, de unidade e de busca de
soluções políticas pelas lideranças
parlamentares, num instante em que os militares fizeram a primeira
tentativa frontal de afronta à Constituição,
diz Markun.
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Manifestação no Rio de Janeiro: pancadaria
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Sagacidade Ainda segundo o jornalista, seria um equívoco
simplista dizer que Brizola se engajou na resistência legalista
simplesmente porque esperava obter dividendos políticos com
a posse de Jango, de quem era cunhado. Brizola, aliás,
não se considera protagonista daqueles eventos. Ele acredita
que a sociedade como um todo reagiu à tentativa golpista.
Mas o governador teve a sagacidade de utilizar uma cadeia de rádio
para organizar a resistência. Os acontecimentos de 1961
foram um ensaio geral para a tragédia que se
abateria sobre o Brasil algum tempo depois. João Goulart
retomaria seus poderes em 1963, através de um plebiscito
que restaurou o presidencialismo, mas os militares, finalmente,
o derrubariam em março de 1964, quando, de acordo com Markun,
conquistaram a opinião pública. 
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Gaúchos em vigília: apoio ao vice-presidente
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Brizola
checando armamentos: defesa do Palácio Piratini |
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Posse do marechal Castelo Branco: presidente milico
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