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Recanto no Cantão
Área de proteção ambiental à beira do rio Araguaia guarda
praias quilométricas e centenas de lagos fluviais no Tocantins
Veja
o mapa
Camilo Vannuchi e André Sarmento (fotos)
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Entre junho e setembro, época de seca, dá para aproveitar os
bancos de areia. A Pousada do Araguaia (acima) repousa entre
eles |
Uma reserva ecológica de 90 mil hectares, localizada na
margem direita do rio Araguaia, no canto sudeste da Amazônia,
canto oeste do Tocantins e canto norte da ilha do Bananal, só
poderia mesmo se chamar Cantão. Ali se misturam pinceladas
de floresta tropical, cerrado e pantanal. Transformado em Parque
Estadual no ano passado, esse trecho de mata nativa é um
prato cheio para quem busca tranquilidade e paisagens estonteantes
longe do caos urbano. Entre dezembro e março, chuvas castigam
a região e fazem o rio Araguaia avançar sobre o parque,
que fica totalmente inundado. No período do estio, entre
junho e setembro, as águas retornam ao leito e até
oitocentos lagos aparecem. Bancos de areia surgem em toda a extensão
do rio, formando praias fluviais paradisíacas, e com elas
o vai e vem das tartarugas, que correm para enterrar seus ovos.
Um espetáculo para qualquer turista. Ali mesmo na área
de proteção ambiental acaba de ser inaugurado o primeiro
hotel de selva do Cantão, a Pousada do Araguaia. É
apenas o início de uma campanha do governo do Estado para
atrair visitantes e transformar o local em um dos maiores destinos
de ecoturismo no Brasil.
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Projetos não faltam. Até o Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) voltou seus olhos para o parque. Ele é
o financiador de um trabalho de avaliação ambiental,
desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur)
e o Ministério do Meio Ambiente, que busca garantir a abertura
da área de forma segura. Antes de escancarar o Cantão
para o turismo, é preciso conhecer o local e trazer infra-estrutura
sem colocá-lo em risco. De preferência, criando empregos
para os habitantes da região, diz Jens Cristiano Ruschmann,
diretor da Ruschmann Consultoria, responsável pela avaliação
do parque. A Pousada do Araguaia parece estar no caminho certo.
Além de utilizar os serviços de barqueiros de Caseara
cidade mais próxima, a 60 quilômetros de barco
, o hotel instalou um biodigestor importado de Israel para
recolher todo o esgoto e devolver água limpa ao rio. A engenhoca
consumiu parte do investimento de 600 mil reais, feito pela empresária
e economista Nara Rela para garantir aos 13 apartamentos a classificação
três estrelas. Pacotes de quatro dias na pousada são
oferecidos por operadoras como a Ambiental Expedições,
de São Paulo. É só estar disposto a tomar um
avião até Palmas, encarar quatro horas de estrada
até Caseara e enfrentar duas horas de barco para atracar
no cais do hotel. Daí em diante, os mais animados podem percorrer
as trilhas que levam a lagos no meio da floresta tarefa fácil
em uma região plana ou optar por uma boa pescaria
esportiva. No Araguaia, considerado um dos rios mais piscosos do
mundo, a captura de peixes como o tucunaré e o pacu é
restrita a 20 quilos por pessoa e proibida para o comércio.
O uso de rede é considerado crime, assim como todo tipo de
pesca entre outubro e dezembro, época da piracema (reprodução).
Para os adeptos da lei do menor esforço, descansar em uma
rede pode ser a grande tacada.
Até o começo deste ano, os chalés construídos
em 1996 pelo governo do Estado destinavam-se à fiscalização
do parque e recebiam visitas oficiais de investidores estrangeiros
e políticos. Em janeiro, o governador Siqueira Campos escolheu
Nara Rela, dona da mais tradicional agência de viagens de
Palmas, para assinar um contrato de cessão de uso por dez
anos. E fez mais: nomeou a felizarda secretária estadual
de Turismo. Quero que venham hotéis para cá.
Mas que sejam empreendimentos de qualidade, diz Nara.
Empreendedores e interessados em conhecer o Cantão não
devem demorar. O parque acabou de ser inaugurado e já se
vislumbram períodos de vacas magras. Uma hidrovia está
sendo instalada nos rios Araguaia e Tocantins e deve provocar alterações
no cenário. Parte das praias do Cantão desaparecerão
quando começarem as obras de drenagem e aprofundamento do
leito, indispensáveis para o fluxo de embarcações
de grande porte. Por enquanto, apenas canoas e voadeiras percorrem
a região. 
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