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 BRASIL
08/08/2001
História

Invasão pelo Nordeste
EUA planejavam tomar o País caso Getúlio não entrasse na guerra contra os nazistas

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Hélio Contreiras

Renato Velasco
O tenente Luiz Paulino Bonfim: “Nosso uniforme era parecido com o dos alemães e tivemos de usar a jaqueta dos americanos”

O governo do presidente americano Franklin Roosevelt tinha um plano para invadir o Brasil pelo Nordeste do País, caso não houvesse um entendimento com Getúlio Vargas sobre a cessão das bases militares de Natal, Recife, Salvador e Belém. As forças aliadas, que combatiam a Alemanha nazista, precisavam de uma rota para a África. O plano do Estado-Maior americano para a invasão do Brasil foi confirmado, pela primeira vez, em artigo publicado na revista Proceedings, de distribuição restrita à Marinha americana. O texto foi cedido a ISTOÉ pelo tenente Luiz Paulino Bonfim, que atuou na área de inteligência da Força Expedicionária Brasileira sob o comando do general Amaury Kruel. O general Octávio Costa, que lutou contra os nazistas na Itália, desconhecia o plano. No entanto, confirmou: “Vargas realmente hesitou entre a Alemanha nazista e os aliados e a rota do Norte e Nordeste para a África tinha uma importância estratégica para os americanos.”

O tenente Bonfim, que está terminando um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, relatou a presença de simpatizantes do nazismo no primeiro escalão da ditadura Vargas, principalmente Filinto Muller, então chefe da Polícia e o general Góis Monteiro, ministro da Guerra. Bonfim afirma que o plano de invasão previa o desembarque das tropas americanas no litoral nordestino em 1942, com base em um planejamento aprovado no início daquele ano. Segundo Bonfim, era necessário garantir o apoio do Brasil. A rota pelo Nordeste impediria que os alemães avançassem para a África.

Prensa Três
No Rio Vargas e Roosevelt selaram o acordo (acima) e o plano, contado no livro do tenente Bonfim, (à esq.) é engavetado

O artigo da Proceedings ressalta o poder ditatorial que Vargas assumira a partir de 10 de novembro de 1937, quando proclamou o “Estado Novo fascista, passando a ter plenos poderes, sem o Congresso Nacional”, registra a revista. O autor do artigo, Michael Gannon, chama a atenção para a simpatia de Vargas pelos nazistas. Uma das preocupações dos americanos era a afinidade do presidente brasileiro com os principais ditadores da época, além de Hitler: Mussolini (Itália) Salazar (Portugal) e Franco (Espanha).

O tenente Bonfim conta no livro que somente após o torpedeamento de navios da Marinha mercante por submarinos alemães é que Vargas decidiu, com atraso, assumir o estado de beligerância com as forças do eixo (Alemanha, Itália e Japão) e só depois declarou guerra. “Entramos em operação em 17 de agosto de 1944, e dependíamos dos americanos”, diz. Os brasileiros ainda tiveram, segundo Bonfim, que passar por outro constrangimento: “Nosso uniforme era parecido com o dos alemães e tivemos de usar a jaqueta dos americanos.” Com a adesão do Brasil, em encontro no Rio de Janeiro entre Vargas e Roosevelt – que antes esteve em Natal – o plano de invasão foi arquivado.

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