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Invasão pelo Nordeste
EUA planejavam tomar o País caso Getúlio
não entrasse na guerra contra os nazistas
Hélio
Contreiras
| Renato
Velasco |
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O tenente Luiz Paulino Bonfim: Nosso uniforme era parecido
com o dos alemães e tivemos de usar a jaqueta dos americanos
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O governo do presidente americano Franklin Roosevelt tinha um
plano para invadir o Brasil pelo Nordeste do País, caso não
houvesse um entendimento com Getúlio Vargas sobre a cessão
das bases militares de Natal, Recife, Salvador e Belém. As
forças aliadas, que combatiam a Alemanha nazista, precisavam
de uma rota para a África. O plano do Estado-Maior americano
para a invasão do Brasil foi confirmado, pela primeira vez,
em artigo publicado na revista Proceedings, de distribuição
restrita à Marinha americana. O texto foi cedido a ISTOÉ
pelo tenente Luiz Paulino Bonfim, que atuou na área de inteligência
da Força Expedicionária Brasileira sob o comando do
general Amaury Kruel. O general Octávio Costa, que lutou
contra os nazistas na Itália, desconhecia o plano. No entanto,
confirmou: Vargas realmente hesitou entre a Alemanha nazista
e os aliados e a rota do Norte e Nordeste para a África tinha
uma importância estratégica para os americanos.
O tenente Bonfim, que está terminando um livro sobre a Segunda
Guerra Mundial, relatou a presença de simpatizantes do nazismo
no primeiro escalão da ditadura Vargas, principalmente Filinto
Muller, então chefe da Polícia e o general Góis
Monteiro, ministro da Guerra. Bonfim afirma que o plano de invasão
previa o desembarque das tropas americanas no litoral nordestino
em 1942, com base em um planejamento aprovado no início daquele
ano. Segundo Bonfim, era necessário garantir o apoio do Brasil.
A rota pelo Nordeste impediria que os alemães avançassem
para a África.
| Prensa
Três |
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No Rio Vargas e Roosevelt selaram o acordo (acima) e o plano,
contado no livro do tenente Bonfim, (à esq.) é
engavetado |
O artigo da Proceedings ressalta o poder ditatorial que
Vargas assumira a partir de 10 de novembro de 1937, quando proclamou
o Estado Novo fascista, passando a ter plenos poderes, sem
o Congresso Nacional, registra a revista. O autor do artigo,
Michael Gannon, chama a atenção para a simpatia de
Vargas pelos nazistas. Uma das preocupações dos americanos
era a afinidade do presidente brasileiro com os principais ditadores
da época, além de Hitler: Mussolini (Itália)
Salazar (Portugal) e Franco (Espanha).
O tenente Bonfim conta no livro que somente após o torpedeamento
de navios da Marinha mercante por submarinos alemães é
que Vargas decidiu, com atraso, assumir o estado de beligerância
com as forças do eixo (Alemanha, Itália e Japão)
e só depois declarou guerra. Entramos em operação
em 17 de agosto de 1944, e dependíamos dos americanos,
diz. Os brasileiros ainda tiveram, segundo Bonfim, que passar por
outro constrangimento: Nosso uniforme era parecido com o dos
alemães e tivemos de usar a jaqueta dos americanos.
Com a adesão do Brasil, em encontro no Rio de Janeiro entre
Vargas e Roosevelt que antes esteve em Natal o plano
de invasão foi arquivado. 
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