| ARTES
& ESPETÁCULOS |
27/06/2001 |
Livros
Chá
e bourbon
Martin
Amis confirma estilo globalizado
Luiz
Chagas
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Reuters
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Amis:
britânico que escreve como americano
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Natural de Oxford, onde nasceu há 52 anos, Martin Amis pertence
à geração de Nick Hornby, Patrick McGrath,
Hanif Kureishi e outros colegas admiradores de autores americanos
modernos como Philip Roth, John Updike ou Norman Mailer.
Daí não constituir surpresa ele ser considerado pela
crítica da Inglaterra como o mais americano dos escritores
ingleses. Mesmo sendo filho de Kingsley Amis, tido como o autor
menos americanizado do país monarquista. A coletânea
Água pesada e outros contos (Companhia das Letras,
280 págs., R$ 31), composta de nove histórias escritas
entre 1976 e 1997, deixa clara essa aproximação. Nos
textos aqui reunidos, a partir do mais antigo, Morte de Denton,
que, em clima kafkiano narra os últimos momentos de um homem
conhecedor da sua morte, o autor trata de se misturar a personagens
comuns em situações incomuns e vice-versa. Com a mesma
precisão, Amis se vale tanto de ambientes fantásticos
quanto de protagonistas naturalmente excêntricos, caso dos
escritores de Ascensão profissional, do segurança
de casas noturnas aposentado de O estado da Inglaterra ou
da mãe e do filho excepcional do conto-título.
Com humor, em Ficção hetero ele descreve
um mundo gay sacudido por reivindicações da minoria
fecundadora e em O zelador de Marte faz uma espécie
de diálogo entre um humano responsável por um orfanato
e um robô paranóico. Reserva para O que aconteceu
comigo nas férias a tônica autobiográfica,
dedicada ao enteado falecido. O que revela um equilíbrio
semelhante ao de quem aprecia tanto um bourbon quanto uma xícara
de chá. Às cinco em ponto. 
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